Sábado, 31/10/26

Entidades e órgãos de Justiça repudiam listas de boicote por divergência política

Entidades e órgãos de Justiça repudiam listas de boicote por divergência política
A disseminação de listas que identificam empresas, profissionais liberais e trabalhadores com o objetivo de promover boicotes em razão de preferências políticas tem gerado… — Imagem: Divulgação

Política

O movimento, intensificado após as eleições de 2026, é alvo de alertas sobre riscos jurídicos e danos ao Estado Democrático de Direito.

A disseminação de listas que identificam empresas, profissionais liberais e trabalhadores com o objetivo de promover boicotes em razão de preferências políticas tem gerado reações de entidades representativas e órgãos do sistema de Justiça.

O setor de bares e restaurantes, um dos mais atingidos, manifestou repúdio por meio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A entidade destacou que a diversidade de opiniões deve ser respeitada e advertiu que campanhas de perseguição econômica podem configurar atos ilícitos, sujeitando os responsáveis a ações judiciais, além de prejudicar funcionários que dependem da atividade econômica.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se posicionou contra a prática. Em nota, a seccional do Tocantins reforçou que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias são pilares democráticos, ressaltando que divergências eleitorais não justificam a exposição pública ou a restrição de direitos de cidadãos e profissionais.

No âmbito trabalhista, o Ministério Público do Trabalho (MPT) tem atuado para conter o uso de plataformas digitais na disseminação de conteúdos que incentivam a vigilância e a demissão de funcionários por motivação política. O órgão ingressou com ação civil pública contra a Meta para a remoção de postagens que convocam empregadores a realizar esse tipo de assédio. Segundo o MPT, foram registradas mais de 3 mil denúncias de assédio eleitoral desde o início da campanha, com um aumento expressivo após o segundo turno.

Especialistas e figuras públicas alertam para o caráter autoritário dessas iniciativas. O professor de História Contemporânea Francisco Carlos Teixeira aponta que a criação de listas de expurgo é uma prática recorrente em regimes autoritários e ditatoriais, utilizada historicamente para a perseguição de grupos específicos e a ocupação de instituições por meio da exclusão de opositores.

Informações: Ministério Público do Trabalho.

Texto: Redação / Correio de Santa Maria.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress