Economia
Um grupo de 50 economistas e especialistas divulgou um manifesto nesta sexta-feira (30) contestando a pressão do mercado financeiro por cortes de gastos públicos. O documento defende que o governo priorize a tributação de altas rendas em vez de reduzir investimentos em áreas sociais para estabilizar a dívida pública.
Os especialistas argumentam que o principal fator de pressão sobre a dívida não são os gastos da União, mas o custo com juros fixados pelo Banco Central. Segundo os signatários, os juros reais praticados no país estão entre os mais elevados do mundo, consumindo mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento público nos últimos doze meses.
Entre as propostas apresentadas, o grupo sugere a antecipação da tributação mínima de 10% para pessoas com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil, conforme previsto na Lei 15.270 de 2025. O manifesto também defende a revisão de isenções e regimes especiais que somam R$ 612,8 bilhões em gastos tributários, além de criticar a isenção de Imposto de Renda sobre dividendos pagos a acionistas.
O documento pede ainda que o Banco Central interrompa novas altas na taxa Selic e propõe uma revisão na meta de inflação, sugerindo o retorno ao centro de 4,5%. Outro ponto central é a substituição do atual arcabouço fiscal por uma nova regra que exclua investimentos públicos, programas de transferência de renda e pisos constitucionais de saúde e educação dos limites de despesas.
Os economistas alertam que a adoção de medidas de ajuste fiscal rigorosas pode comprometer o apoio popular ao governo e a capacidade de investimento em áreas estratégicas, como a transição ecológica e a reindustrialização.
Entenda o caso
- Onde e quando: Manifesto divulgado nacionalmente nesta sexta-feira (30).
- Principais informações: Economistas criticam cortes de gastos sociais e defendem tributação de altas rendas e revisão da política de juros.
- Medidas anunciadas: Proposta de antecipação de tributação sobre dividendos e revisão da meta de inflação pelo Conselho Monetário Nacional.
- Próximos desdobramentos: Debate sobre a nova regra fiscal no Congresso Nacional e decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.
Texto: Redação / Correio de Santa Maria.








