Sexta-feira, 08/05/26

‘Bravos policiais’: relembre vítimas de helicóptero que deixou delegados e peritos mortos em Goiás

Helicóptero ficou destruído após a queda - (Foto: reprodução)
‘Bravos policiais’: relembre vítimas de helicóptero que deixou delegados e – Reprodução

A queda do helicóptero da Polícia Civil de Goiás (PCGO), que vitimou cinco delegados, dois peritos e o principal suspeito de uma chacina em Doverlândia, considerada uma das maiores tragédias do estado, ainda permanece no imaginário de membros da corporação, especialmente de quem conviveu e trabalhou ao lado dos profissionais. O acidente aconteceu em 8 de maio de 2012.

LEIA TAMBÉM:

A equipe, que há exatos 14 anos faleceu a bordo do helicóptero, era composta pelos delegados Antônio Gonçalves, Vinícius Batista Silva, Jorge Moreira, Osvalmir Carrasco e Bruno Rosa Carneiro — esses dois últimos comandavam a aeronave —, além dos peritos Marcel de Paula Oliveira e Fabiano de Paula Silva. 

Todos investigavam a chacina com sete mortos praticada pelo então principal suspeito do crime, Aparecido de Souza Alves, de 22 anos, indiciado no ano seguinte. Entre os membros que chegaram a participar da investigação estava o delegado André Ganga, atual delegado-geral da PCGO.

Na época, Ganga, que era membro do CORE G.T.3, grupo de elite da PC, participou como piloto do helicóptero na primeira reconstituição do crime. Posteriormente, também foi escalado para o segundo voo à fazenda, mas como parte da equipe de segurança de Aparecido, visto que estava com a licença de piloto expirada há cerca de três dias.

“O voo estava previsto para terça-feira e, na segunda à noite, o doutor Antônio, que era o nosso superintendente de polícia judiciária, pediu para que eu ficasse em Goiânia para dar lugar ao doutor Jorge, que tinha ficado muitos anos na delegacia de homicídios. Ele iria ver a cena do crime, tentar identificar alguma coisa que poderia ser diferente”, relembra. 

Além da perda material, o estado sofreu um “baque” com a perda humana, visto que a equipe era uma das mais experientes na época. Para Ganga, houve também uma perda pessoal, visto que ele era amigo, dentro e fora da corporação, dos também pilotos Carrasco e Bruno, integrantes do G.T.3 na época.

“O Carrasco e o Bruno estavam na unidade aérea, eram delegados operacionais. O doutor Jorge foi uma das pessoas com quem mais trabalhei. O doutor Antônio cuidava de toda a parte operacional da Polícia Civil na época. Foi delegado de furtos e roubos por muito tempo, da Denarc, Deic. Tem vários casos emblemáticos dos quais ele participou”, conta.

“Dia triste”

A delegada-geral na época do acidente e atual deputada federal, Adriana Accorsi, relembra com tristeza a queda. Segundo ela, todo 8 de maio é uma data de luto para a PC e toda a segurança pública estadual. 

“Tenho muito orgulho de ter sido colega dos queridos delegados e peritos criminais. Eram profissionais sérios e competentes que chamei para fazer parte da minha equipe porque os admirava. Mesmo agora, depois de 14 anos da queda do helicóptero da instituição, que vitimou todos, ainda me sinto abalada, porque eles estavam no estrito cumprimento do dever legal”, reforça em nota.

Adriana afirma que, depois de mais de uma década, ainda sente saudades dos companheiros de ofício e que continua lamentando a tragédia. A deputada informou que também se solidariza com os familiares, que perderam irmãos, pais e maridos. 

“A memória desses bravos policiais jamais será esquecida. Eles trabalhavam em busca da verdade, empenhados em esclarecer os detalhes de um crime que chocou a sociedade goiana, para que a justiça fosse feita”, concluiu.

Unidade aérea

Em janeiro deste ano, a PC recebeu um novo helicóptero do Governo Estadual, marcando a retomada da Divisão de Operações Aéreas (DOA), que havia sido suspensa desde o acidente em 2012. A aeronave é do modelo Airbus/Helibras AS350B3a (H125), da família Esquilo, conhecida pela robustez, segurança e elevado desempenho operacional. 

A aquisição foi um marco para a corporação, de acordo com Ganga. Desde que foi colocada em uso, a aeronave participou de operações em apoio às equipes terrestres em todo o estado, servindo como transporte também dos investigadores do caso Daiane Alves, morta pelo síndico do condomínio onde morava, em Caldas Novas, em dezembro de 2025.

“É um significado muito emblemático para nós da Polícia Civil, não só pela parte operacional atual, mas por toda a memória dessas pessoas que se foram trabalhando em serviço. O retorno da unidade aérea é muito importante para todos nós”, concluiu.

Novo helicóptero da PCGO – (Foto: reprodução)

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *