Domingo, 13/09/26

Castro diz que procurou Mendonça para saber se havia ordem judicial para não soltar Cabral

Castro diz que procurou Mendonça para saber se havia ordem judicial para não soltar Cabral
Castro diz que procurou Mendonça para saber se havia ordem – Reprodução

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) afirmou neste domingo (13) que procurou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para saber se havia alguma ordem judicial em vigor que impedisse a soltura de Sérgio Cabral.

Segundo ele, o contato ocorreu porque a equipe da Secretaria de Administração Penitenciária não conseguiu confirmar junto ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) se ainda havia mandados de prisão em vigor. O tribunal era o responsável pela ordem em análise no Supremo.

O contato entre Castro e Mendonça ocorreu um dia após o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) revogar dois mandados de prisão contra Cabral. A partir daquele momento, restava apenas a ordem em análise no STF.

“No início da noite de 11 de novembro de 2022, recebi uma ligação da então secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel. Havia chegado à secretaria um mandado de soltura de Sérgio Cabral, expedido naquele dia pela 5ª Câmara Criminal do TJ-RJ, mas existia dúvida sobre outras ordens judiciais que pudessem mantê-lo preso”, disse Castro.

“Naquele momento, o site do TRF-4 estava fora do ar e as tentativas de contato não tiveram sucesso. Diante da necessidade de confirmar a situação processual, fiz contato com o ministro André Mendonça pois havia com ele um processo ligado ao ex-governador.”

Segundo Castro, foi por este motivo que Mendonça lhe encaminhou o link do processo no Supremo. Ele afirma que os dados permitiram a checagem da informação. “Ao final, confirmou-se que havia outras ordens judiciais que impediam a soltura, e Sérgio Cabral permaneceu preso”, afirma o ex-governador.

Como a Folha revelou neste domingo (13), os dois trataram do assunto 17 dias antes de Mendonça apresentar seu voto ao STF em favor da soltura de Cabral. O ministro havia interrompido o julgamento em outubro, quando o placar estava 1 a 1. O ex-governador foi solto em dezembro com um placar de 3 a 2, encerrando seis anos de prisão.

Castro nega que a conversa entre os dois tenha tido como objetivo interferir no julgamento do caso.

“Não procurei o ministro para interferir em qualquer julgamento no STF nem para pedir benefício a Sérgio Cabral. […] Nunca mantive relação pessoal com Sérgio Cabral e, durante todo o período em que estive à frente do Governo do Estado, sequer estive pessoalmente com ele. Esse é o contexto real das mensagens divulgadas”, disse ele.

Nos diálogos, trocados na noite de 11 de novembro de 2022, Castro escreve a Mendonça, às 19h37: “Amigo, preciso falar com urgência” e completa “caso Cabral” –numa referência ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Em seguida, Castro encaminha dois arquivos.

Mendonça responde à mensagem às 20h25, com a descrição de um processo da 13ª Vara Federal de Curitiba que decretou a prisão preventiva de Cabral por corrupção, no âmbito da Operação Lava Jato.

Após escrever essa mensagem, Mendonça completa: “ligo em alguns minutos”. Castro, então, responde com um “ok”.

Sete minutos depois, Mendonça encaminha ao ex-governador um link da página do Supremo que remete ao habeas corpus movido por Cabral. O caso estava sendo julgado na Segunda Turma da corte, da qual Mendonça faz parte.

Procurado, o gabinete de André Mendonça informou, em nota, que ele não mantém relação de amizade com Cláudio Castro e que os dois se conheceram institucionalmente, quando o ministro ocupava o cargo de ministro da Justiça.

Também afirmou que ele não guarda registro de tratativa alguma sobre o mérito do processo mencionado e que, como é de conhecimento público, “magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros pelas mais diversas vias”.

“Tais manifestações não alteram o curso do exame dos processos, que se dá exclusivamente a partir do que consta dos autos. O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos”, afirmou.

Em nota, a defesa de Cabral disse que “desconhece o fato e ressalta que já havia conquistado quatro revogações de sua prisão preventiva em diferentes tribunais e instâncias”.

“Quanto ao suposto diálogo não há o que se manifestar”, afirmaram em nota os advogados Patrícia Proetti e João Pedro Proetti, que defendem Cabral.

T LB

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