Leandro Grass (PT) usou uma apresentação durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira (23) para reunir acusações e questionamentos contra a governadora Celina Leão (PP), sua adversária no segundo turno. O caso BRB-Master foi um dos principais temas, com cobranças sobre as relações políticas em torno da negociação e o que a governadora sabia sobre a operação. Grass também abordou a circulação de um vídeo com voz manipulada por inteligência artificial atribuído a ele e criticou a atuação da campanha adversária na Justiça Eleitoral.
Ao relacionar nomes ligados ao caso Master, Grass questionou se Celina desconhecia as articulações em torno da negociação. Ele mencionou o empresário Daniel Vorcaro, o presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira, e o ex-governador Ibaneis Rocha, além de citar a participação de integrantes do partido da governadora em decisões relacionadas ao negócio.
“O Ciro é um dos grandes amigos de vida do Vorcaro. Vocês viram os vídeos ao longo dessas semanas? O Ibaneis, ex-governador, negociou a compra do Master pelo BRB, e o Paulo Henrique foi indicado por ele. E a Celina não sabia de nada?”, declarou o candidato, ao questionar a relação entre os mencionados e o conhecimento da governadora sobre a operação.
Leandro também citou uma negociação de R$400 milhões em propina envolvendo Ibaneis e Vorcaro. Segundo as informações apresentadas pelo candidato e materias da UOL, R$80 milhões teriam sido adiantados em dinheiro vivo.
“Ela não se manifestou contra a operação publicamente, só depois que veio à tona a investigação. Os dois deputados citados do PP, o partido dela, votaram a favor da compra”.
O candidato também mencionou a relação política da governadora com a família Valverde. Durante a apresentação, citou a presença de Celina em eventos sociais na residência da família e a nomeação de Adriana Valverde, mãe de Leonardo Valverde, para um cargo comissionado no gabinete dela em 2016, quando Celina presidia a Câmara Legislativa. Leandro ainda levantou questionamentos sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e ao publicitário Thiago Miranda.
Vídeo com voz manipulada por IA
A apresentação também retomou a denúncia de um vídeo com gravação de voz manipulada por inteligência artificial e atribuída a Grass, que teria circulado em grupos de WhatsApp durante a campanha. O candidato afirmou que procurou a Polícia Civil na semana anterior à coletiva para pedir a investigação da origem e da divulgação do material.
“A gente quer saber onde é que esse vídeo foi feito, quem fez esse vídeo, onde foi disseminado, quais veículos. Foi isso que eu pedi para a Polícia Civil investigar”.
Segundo Leandro, ele recebeu a informação de que a apuração poderia ser de competência da Justiça Eleitoral ou da Polícia Federal. O candidato questionou o encaminhamento e defendeu que a investigação identifique quem produziu o vídeo e como o conteúdo foi disseminado.
35 processos contra Grass
Grass também acusou a campanha de Celina de recorrer à Justiça Eleitoral de forma recorrente e afirmou que a adversária apresentou 35 processos contra sua candidatura. Durante a coletiva, mencionou decisões e recursos relacionados às ações.
O candidato ainda rebateu declarações de Celina sobre sua conduta pessoal e afirmou que ela não apresentou provas para sustentar as acusações.
“Primeiro que ela acusou ter provas, até agora ela não comprovou. Eu já vi muita campanha em que as pessoas criam fatos para se vitimizar”.
Na avaliação de Grass, a disputa também foi marcada pelo uso da estrutura pública em favor da adversária. Ele citou a participação de ocupantes de cargos comissionados e de integrantes do governo em atividades de campanha durante o expediente.
“Essa campanha também foi marcada pelo abuso do poder político, do uso da máquina pública, da estrutura governamental, como nunca antes aconteceu na história dessa cidade.” Completou.








