Ferreira também esteve à frente da empresa durante o complexo processo de simplificação de operações.
A companhia perdeu espaço de mercado para concorrentes locais e internacionais, como o grupo O Boticário, e reportou lucro líquido 82% menor no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2025.
O cargo de CEO será ocupado por Alessandro Carlucci a partir de 1º de outubro, e ele está “atuando desde já em colaboração com João Paulo em uma transição sem rupturas”, afirmou a empresa.
Por volta das 14h20, as ações tinham alta de 1,71%, a R$ 8,89. Na máxima, chegaram a subir 9,04%, a R$ 9,53. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro na qual a Natura está listada, avançava 1,00%, a 177.423 pontos.
“O executivo já comandou a Natura como CEO entre 2005 e 2014 e reúne profundo conhecimento do modelo de negócios da companhia com vasta experiência recente adquirida em outras grandes organizações nos setores de consumo, varejo e comércio digital.”
Para assumir o posto, Carlucci deixou a presidência do conselho de administração da companhia. Fábio Barbosa, membro do conselho consultivo, foi eleito conselheiro e presidente do colegiado, posição já ocupada por ele anteriormente. Ele foi responsável por liderar a estratégia de reorganização da estrutura de capital da Natura, segundo o fato relevante, e sua nomeação “seguirá para ratificação pelos acionistas na próxima Assembleia Geral”.
As mudanças foram aprovadas em reunião do conselho de administração da empresa na última sexta-feira (28).
“Estas mudanças na administração sintetizam uma combinação de profundo conhecimento do legado e modelo empresarial da Natura com inovação, mantendo a gestão plenamente direcionada na entrega de resultados focados em rentabilidade, eficiência operacional e alocação eficiente do capital”, afirma a empresa.
A transição na liderança acontece após a entrada da Advent no capital social da companhia. Em julho, a gestora americana de private-equity comprou 8% de participação e garantiu, assim, a indicação de dois membros para o conselho de administração.
A reestruturação da companhia de cosméticos tem sido observado de perto pelo mercado. Para analistas do Itaú BBA, as mudanças foram bem vistas, mas a execução continua sendo o ponto central para o processo da Natura.
“Desafios operacionais de curto prazo continuam sendo o principal entrave para a tese de investimento.
A receita da Natura Brasil caiu cerca de 15% em relação ao ano anterior no segundo trimestre de 2026, enquanto problemas mais amplos de planejamento e integração de sistemas contribuíram para restrições na disponibilidade de produtos e pressão sobre a participação de mercado”, afirmam os analistas do banco.
“Conforme destacado em nossos relatórios recentes, a recuperação deve ser gradual, mantendo a pressão sobre a alavancagem operacional, as margens e a geração de caixa até que haja maior visibilidade sobre a recuperação da receita no Brasil.”
O desempenho ruim no Brasil, segundo Ferreira à época dos resultados do segundo trimestre, ditou o tom do balanço. Os resultados positivos na América Latina, como Chile, Peru e México, foram ofuscados pela perda de receita no país. Ferreira citou o contexto macroeconômico apertado, com o elevado endividamento das famílias afetando o consumo, e o impacto fiscal da substituição do ICMS em São Paulo.
Segundo os analistas do Itaú, o catalisador para a tese de investimentos na empresa segue postergado. “Ainda são necessárias evidências de que o sistema de planejamento integrado se estabilizou e de que o Brasil retornou a uma trajetória de crescimento mais sustentável antes que possamos rever nossa recomendação”, afirmam.
O novo sistema de planejamento integrado é a ferramenta de gestão da cadeia de abastecimento da empresa, implementada no início de 2026 para otimizar os processos de logística. A expectativa do Itaú é que os problemas relacionados a esse sistema estejam totalmente solucionados entre o final do ano e o início de 2027.
No balanço do segundo trimestre, Ferreira disse que empresa enfrentou uma severa escassez de produtos, impulsionada não só pelo contexto macroeconômico, mas também por questões operacionais da própria empresa.
“A correção de rota está fundamentalmente em nossas mãos. Nossa maior prioridade é restaurar o nível de serviço”, afirmou.
RAIO-X | NATURA
- Fundação: 1969
- Sede: Cajamar (SP)
- Lojas: 1.084 lojas no Brasil (próprias e franquias)
- Receita líquida: R$ 5,17 bilhões (2º tri de 2026)
- Lucro líquido: R$ 35 milhões (2º tri de 2026)








