Quarta-feira, 05/08/26

Dia do Profissional da Educação: rede de apoio escolar transforma a vida de alunos no DF

Dia do Profissional da Educação: rede de apoio escolar transforma a vida de alunos no DF
Dia do Profissional da Educação: rede de apoio escolar transforma – Reprodução

Por Mariana Menhô

No dia 6 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional dos Profissionais da Educação, uma data criada para valorizar todas as mãos que fazem uma escola funcionar. A rotina escolar no Distrito Federal revela um esforço coletivo que une todos os funcionários de uma escola, em uma força-tarefa, que se move mais pela dedicação e amor à profissão do que pelos recursos disponíveis. Para a vice-diretora do CED 06 no gama, Elirosy de Matos, a instituição de ensino é um organismo vivo que só sobrevive pela integração. “A escola só funciona porque está todo mundo aqui dentro, não só o professor”.

Elirosy, que trabalha na rede há quase duas décadas, enfatiza que a estrutura pedagógica depende do zelo de quem cuida da escola. De acordo com a gestora, se não houvesse o pessoal da limpeza e o olhar atento dos vigilantes, o ambiente de aprendizado e crescimento simplesmente não existiria mais.

O carinho que alimenta e acolhe

Um dos elos mais vitais desse organismo é o papel das merendeiras, descritas como pilares de nutrição e afeto. A vice-diretora relata que as funcionárias da cantina preparam os lanches com todo o carinho, algo que faz com que uma simples refeição se torne um gesto de acolhimento para crianças que, por muitas vezes, chegam à escola sem ter o que comer em casa.

Na linha de frente da alfabetização no Gama, a professora Thaís Nery, de 38 anos, vive o desafio de guiar uma turma de primeiro ano. Com crianças de 6 e 7 anos, ela todo dia escreve no quadro uma rotina, fundamental para que seus alunos, em especial os que possuem Transtorno do Espectro Autista (TEA), se sintam seguros e orientados. Na sala de aula cada minuto é importante, o que exige que o professor tenha um olhar constante para identificar as necessidades de cada estudante.

Luta por recursos e valorização

Entretanto, a animação das crianças contrasta com as críticas severas à falta de suporte institucional e à solidão pedagógica. Thaís relata que alguns dos maiores desafios para quem trabalha sem auxílio constante são a disparidade de níveis de aprendizado e a necessidade de adequar as atividades para alunos com diferentes necessidades. Porém ela reforça a importância de não deixar ninguém para trás, o que exige um desdobramento que a estrutura nem sempre provê

A valorização é uma ferida aberta para estes profissionais, já que o salário pago no Brasil é um dos mais baixos quando o assunto são funcionários de escolas. Thaís lamenta o reconhecimento financeiro não acompanhar a importância da missão, colocando professores em situações de terem que pagar, com o próprio dinheiro, recursos básicos como cópias e lembranças para os alunos em datas comemorativas.

O peso da saúde mental e do afeto

Essa precariedade se reflete em um quadro alarmante de saúde mental dentro da Secretaria de Educação do DF, que a cada dia registra mais afastamentos médicos. Thais desabafa que o esgotamento mental é real e frequente diante de salas de aula cheias e da escassez de recursos para lidar com os problemas. “Por vezes eu digo que às vezes eu saio daqui esgotada, esgotada mentalmente”, revela a professora, pontuando que a energia das crianças é o que a recarrega.

Tais profissionais se envolvem muito além do conteúdo didático, eles mergulham nas dificuldades familiares que os alunos acabam por trazer de casa. Para Thaís, não existe não se envolver emocionalmente. “Estar dentro de uma sala de aula não é fácil. Então, só quem consegue viver, só quem tá ali dentro sabe o quão dificultoso é”, revela a professora ao descrever o peso de sua jornada.

Engrenagens que formam cidadãos

Elirosy, vê a escola como um porto seguro que acaba por absorver os impactos da falta de políticas públicas e a carência da comunidade. Por isso, o apoio de educadores sociais voluntários e monitores se tornam de extrema importância para tentarem garantir uma inclusão digna aos estudantes com necessidades específicas. É a união disso tudo que permite que a escola cumpra seu papel social de proteção.

Apesar de todos os empecilhos, estes profissionais persistem na missão de ensinar valores, responsabilidade e respeito aos futuros cidadãos. Através de reuniões e projetos com os pequenos, a direção do Centro Educacional 6 do Gama, busca formar cada dia mais alunos críticos, que saibam valorizar e respeitar desde o porteiro até o diretor.

É o aprendizado desses valores que formam o legado que Elirosy espera deixar para as crianças levarem para a vida toda. O Dia do Profissional da Educação marca um pedido de reflexão sobre os avanços necessários para que a carreira seja, de fato, digna e atrativa.

As educadoras ouvidas concordam que a educação no DF só irá avançar quando houver um real investimento em infraestrutura e na saúde de quem constrói o amanhã. Afinal, um organismo só funciona plenamente quando cada órgão é valorizado e cuidado como peça fundamental.

T LB

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