Segunda-feira, 10/08/26

Dólar abre em alta com Oriente Médio no radar

Dólar abre em alta com Oriente Médio no radar
Dólar abre em alta com Oriente Médio no radar – Reprodução

O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (10), com investidores repercutindo as incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e a reabertura do estreito de Hormuz, via marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural produzidos no mundo.

Por volta das 9h55, a moeda norte-americana subia 0,13%, a R$ 5,091. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, também avançava 0,23%, aos 99,76 pontos.

O Irã afirmou que um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação está em fase final, mas ressaltou que os Estados Unidos ainda precisam cumprir outras condições.

No sábado (8), um funcionário iraniano de alto escalão da área de segurança nacional apresentou uma lista de exigências que, segundo ele, os EUA terão de cumprir antes que o estreito de Hormuz possa ser reaberto ao tráfego marítimo.

Ele exigiu que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares americanas das proximidades do país, paguem reparações devido à guerra e liberem ativos iranianos congelados, além de encerrarem os ataques aos aliados do Irã na região e as ameaças contra o país.

Em função das incertezas, os preços do petróleo sobem nesta segunda. O barril Brent, referência internacional, chegaram a subir 1,84%, cotado a US$ 85,09, por volta das 8h. Uma hora depois, a cotação estava em US$ 85.

Na sexta-feira (7), o dólar fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,084. O movimento ocorreu em meio à repercussão de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos mais fracos do que o esperado.

A Bolsa também encerrou em baixa, com queda de 1,72%, aos 172.513 pontos, pressionada principalmente pela temporada de balanços corporativos.

Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, os balanços da Renner e do Magazine Luiza vieram abaixo das expectativas do mercado, apesar de o cenário macroeconômico desafiador já estar refletido nos preços das ações. “As empresas também reduziram as projeções para o ano, o que não agradou o mercado.

No caso da Petrobras, que teve recuo de 2,99%, Magno avalia que, apesar dos bons resultados e do anúncio de dividendos robustos, as ações da estatal acumulavam alta de quase 15% em julho. “Acredito que o movimento de hoje retrate um pouco os investidores realizando parte deste lucro do mês passado.”

As ações da Lojas Renner desabaram 8,08% após a companhia revisar para baixo sua projeção de vendas para 2026. A empresa reduziu a expectativa de crescimento da receita líquida de uma faixa entre 9% e 13% para um intervalo de 4% a 8%.

Segundo a companhia, pesaram na revisão a redução do fluxo de clientes nas lojas físicas durante a Copa do Mundo, em intensidade superior à observada historicamente, além dos efeitos de um cenário macroeconômico mais desafiador.

As ações do Magazine Luiza também caíram, com recuo de 3,71%. A varejista registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão registrado no mesmo período do ano passado.

Ainda segmento de moda, a C&A acompanhou o movimento dos pares e recuou 2,75%. A companhia havia divulgado seu balanço na terça-feira (4).

Os resultados reforçam os desafios enfrentados pelo varejo em um ambiente de desaceleração da atividade econômica. O setor vem sendo pressionado pelo elevado endividamento das famílias e pelo crédito mais caro.

Além disso, a trajetória dos juros continua no radar dos investidores. No início do ano, o mercado projetava que a taxa Selic encerraria 2026 próxima de 12%. Com a persistência das pressões inflacionárias, porém, as expectativas foram sendo revisadas e, atualmente, o consenso é de um ciclo de cortes restrito.

No varejo alimentar, as ações do Assaí também figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. Apesar de a companhia ter anunciado lucro líquido de R$ 484 milhões no segundo trimestre, alta de 121% na comparação anual, a empresa afirmou que a inflação dos alimentos voltou a pressionar o desempenho do período e que o elevado endividamento das famílias continuou afetando o consumo, levando consumidores de menor renda a ajustarem sua cesta para preservar o orçamento.

Na ponta oposta, as ações do Fleury dispararam 9,72%, impulsionadas pelo lucro líquido de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo analistas do BTG Pactual, a companhia apresentou um conjunto sólido de resultados, com forte crescimento orgânico, robusta geração de fluxo de caixa livre (FCF), margens saudáveis e expansão expressiva do lucro líquido.

No mercado americano, as atenções desta sexta-feira se voltaram para o relatório de emprego (payroll), principal indicador de emprego acompanhado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), reforça a percepção de que a economia norte-americana não está tão aquecida quanto se imaginava e reduz as expectativas de novas altas de juros no país, favorecendo mercados e moedas emergentes, como o real.

Dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA revelaram o fechamento de 23 mil postos de trabalho em julho, após a criação de vagas em junho ser revisada para baixo, de 57 mil para 20 mil.

Economistas consultados pela Reuters previam a abertura de 80 mil postos de trabalho. O resultado também ficou abaixo do piso das estimativas, que apontavam, no mínimo, para a criação de 10 mil vagas.

A redução das expectativas de novas altas de juros pelo Fed derruba os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e diminui a atratividade dos ativos dos EUA para o capital internacional, movimento que enfraquece o dólar e favorece a valorização de outras moedas, entre elas o real.

Na segunda, as bolsas americanas fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,28%, o S&P 500 avançou 0,62% e o Nasdaq ganhou 1,30%.

T LB

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