O dólar está em alta nesta terça-feira (16), com investidores novamente repercutindo o anúncio de um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A expectativa em torno da normalização do tráfego pelo Estreito de Hormuz derruba os preços do petróleo no mercado internacional, descolando o Brasil, forte exportador da commodity, do otimismo das demais praças globais.
Operadores também monitoram o primeiro dia de reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) e do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) para a definição das taxas de juros dos dois países.
Às 11h40, a moeda norte-americana tinha ganhos de 0,78%, cotada a R$ 5,101. Já a Bolsa caía 0,61%, a 169.358 pontos, pressionada pela queda de mais de 1% dos papéis da Petrobras na esteira da desvalorização do petróleo no exterior.
O acordo entre Estados Unidos e Irã pelo fim da guerra no Oriente Médio, anunciado no final de semana, inspira otimismo e apetite por risco nos mercados internacionais pelo segundo dia consecutivo.
No Brasil, porém, as sessões têm sido marcadas por saída de capital estrangeiro e aversão aos ativos locais, na esteira da queda do petróleo.
“Em um primeiro momento, o acordo entre EUA e Irã foi bem recebido pelos investidores, aumentando o apetite por risco e favorecendo Bolsas ao redor do mundo. Para o Brasil, porém, a relevância do petróleo na pauta exportadora pesa. A queda do petróleo piora os termos de troca na economia e impacta diretamente empresas de grande peso no índice, como a Petrobras”, afirma Pedro Henrique Carneiro Gonçalves, especialista da Valor Investimentos.
Canal que separa o Irã da Península Arábica, o Estreito de Hormuz é um dos pontos de passagem mais estratégicos do comércio global. Seu bloqueio desencadeou uma crise de abastecimento que se espalhou pelos mercados de combustíveis, alimentos, fertilizantes e frete marítimo, trazendo impacto para a inflação e preços de combustíveis.
Com a perspectiva de reabertura do estreito e a consequente normalização dos mercados de energia, o petróleo Brent, referência internacional, marca mais um dia de queda acentuada. O barril para o contrato de agosto recuava 3% pela manhã, cotado a US$ 80, e o WTI (West Intermediate Texas), referência dos Estados Unidos, caía 4%, a US$ 77.
Como resultado, os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras caíam 1% cada, pressionando o Ibovespa para baixo. Profissionais do mercado costumam lembrar que as ações da petroleira são bastante negociadas pelos investidores estrangeiros. Assim, quando há um movimento consistente de venda das ações, é de se esperar que isso também sensibilize o câmbio, dando força ao dólar.
“Os riscos de queda [do petróleo] no curto prazo permanecem, já que o mercado precifica uma reabertura mais rápida do Estreito e o retorno dos barris retidos”, diz o analista do Saxo Bank, Ole Hansen.
Até o momento, poucos petroleiros cruzaram o estreito desde que o acordo preliminar foi anunciado, embora os navios tenham vindo transportando discretamente barris ao longo da costa de Omã há semanas, navegando “à escuridão” com o apoio da Marinha dos EUA. As transportadoras aguardam garantias de segurança para cruzar o estreito, incluindo a remoção de minas.
As Forças Armadas dos EUA têm supervisionado dezenas de transferências secretas de petróleo de navio para navio para manter o fluxo das exportações de energia do Golfo, utilizando drones aéreos e aquáticos, bem como helicópteros, em uma operação para guiar os comboios até os petroleiros que os aguardam.
As primeiras indicações sugerem que o acordo entre os EUA e o Irã reabriria o estreito bloqueado e prorrogaria o cessar-fogo por 60 dias, ganhando tempo para negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, o Irã e os EUA devem iniciar uma nova rodada de negociações na Suíça na sexta-feira (19) para chegar a um acordo final.
“Vale destacar, contudo, que a expectativa continua sendo de preços em níveis superiores aos observados antes do conflito”, diz Bruno Cordeiro, especialista de inteligência de mercado da Stonex.
“Isso porque os estoques globais permanecem apertados e há o entendimento de que a produção no Golfo Pérsico deverá aumentar de forma gradual ao longo dos próximos meses, com os países produtores da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] enfrentando limitações técnicas que dificultam uma expansão acelerada da extração da commodity.”
Nos mercados acionários globais, o clima é de apetite por risco. O índice norte-americano Dow Jones, composto por empresas de primeira linha, marcou o maior valor intradiário da história nesta terça, a 52.103 pontos. O S&P500, por outro lado, rondava a estabilidade, e o Nasdaq Composite tinha leves perdas de 0,4% após disparar 3% na véspera.
Ainda, a SpaceX, cujo IPO (oferta pública inicial de ações) na semana passada foi o maior da história, ultrapassou o valor de mercado da Amazon e se tornou a quinta empresa mais valiosa dos EUA.
Há ainda outro evento importante no calendário da semana: a “superquarta”, data marcada pela definição de juros do Copom e do Fed.
A expectativa é que o comitê brasileiro corte a taxa básica de juros do país, a Selic, em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano.
Nos Estados Unidos, a maioria das projeções aponta para manutenção do atual patamar de 3,5% e 3,75% ao ano. Será a primeira reunião comandada pelo novo presidente Kevin Warsh, e investidores acompanharão de perto seus comentários sobre inflação, desemprego e perspectivas econômicas.








