Economia
Um dos formuladores do Plano Real, o professor André Lara Resende, defendeu recentemente a necessidade de uma mudança no regime fiscal e monetário brasileiro. Em artigo, o economista argumenta que a manutenção de taxas de juros elevadas pelo Banco Central (BC) atua como o principal fator de desequilíbrio nas contas públicas, em vez de ser a solução para o controle da inflação.
O especialista aponta que, nos últimos 12 meses, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento, o que equivale a cerca de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, a estratégia de focar exclusivamente no corte de gastos primários é insuficiente para conter a dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026.
Por outro lado, o Banco Central mantém a posição de que a taxa Selic elevada é necessária para ancorar as expectativas de inflação. Em suas atas, o Comitê de Política Monetária (Copom) reforça que o aquecimento da economia, o mercado de trabalho e a trajetória das despesas públicas justificam a manutenção dos juros em patamares restritivos para inibir a demanda e controlar a alta de preços.
Lara Resende contesta a eficácia desse modelo, classificando-o como anacrônico. Para o economista, a redução dos juros para níveis próximos à taxa de crescimento nominal da economia seria o caminho para a sustentabilidade fiscal. Ele sugere ainda que o BC utilize suas reservas internacionais, superiores a US$ 350 bilhões, para intervir no mercado de câmbio e evitar volatilidade excessiva caso a taxa de juros seja reduzida.
Entenda o caso
- Onde e quando: O debate ganhou força nos últimos dias, em meio a discussões sobre a trajetória da dívida pública brasileira.
- Principais informações: O especialista sustenta que, ao excluir o serviço da dívida, as contas públicas apresentam um déficit reduzido, sendo os juros os responsáveis pelo crescimento do déficit nominal.
- Medidas anunciadas: A proposta sugere o estabelecimento de metas conjuntas de inflação e de taxa básica de juros para um horizonte de quatro a cinco anos.
- Próximos desdobramentos: O debate coloca em xeque a eficácia da política monetária convencional frente ao cenário de endividamento do país.
Texto: Redação / Correio de Santa Maria.








