Sábado, 26/09/26

Ex-diretor do BC espera ajuste fiscal em 2027; dúvida é se será ordenado ou não

Ex-diretor do BC espera ajuste fiscal em 2027; dúvida é se será ordenado ou não
Ex-diretor do BC espera ajuste fiscal em 2027; dúvida é – Reprodução

São Paulo, 25 – O Brasil deverá passar por um ajuste fiscal em 2027, mas o impacto sobre a economia, a inflação e os juros dependerá de como esse processo será conduzido, segundo Rodrigo Azevedo, diretor de investimentos (CIO, na sigla em inglês) da Ibiuna Investimentos e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central.

Para o gestor, um ajuste proativo permitiria uma desaceleração mais ordenada da economia, enquanto uma reação tardia poderia provocar um processo desordenado, com aperto das condições financeiras e maior pressão inflacionária.

“Acho que haverá um ajuste no ano que vem, só não sei se esse ajuste vai ser proativo e, portanto, você vai ter as consequências dele de sofrer uma desaceleração ordenada da economia brasileira, ou se ele vai ser um ajuste reativo”, afirmou Azevedo, durante painel no J.Safra Investment Conference, evento que aconteceu na quarta-feira, 23, em São Paulo.

Para ele, a segunda alternativa ocorreria em resposta a uma eventual deterioração das condições de mercado e poderia tornar o processo de desaceleração mais difícil de administrar.

O gestor destaca que a economia brasileira já passa por um período prolongado de juros elevados e restritivos.

A atividade vem desacelerando, mas, segundo Azevedo, menos do que seria esperado diante do aperto monetário, enquanto as famílias permanecem muito endividadas. Ao mesmo tempo, afirmou que as expectativas de inflação estão bastante desaceleradas.

O ex-diretor do BC cita 2015 como exemplo de um processo de ajuste que pode ocorrer de forma desordenada. “A economia contraiu 3,5%, a inflação foi de 11% e o juro subiu”, lembra, destacando que o episódio mostra que uma desaceleração da atividade e uma queda da inflação não necessariamente levam à redução dos juros, especialmente quando as condições financeiras se deterioram.

Assim, Azevedo afirmou que a trajetória da curva de juros pode ser mais importante do que a discussão sobre qual será o nível da Selic no fim de 2027.

Na avaliação do gestor da Ibiuna, uma queda mais significativa dos juros reais poderia ajudar a tornar o processo de desaceleração e desalavancagem da economia mais controlado. Nesse caso, ele afirma que haveria uma desaceleração mais rasa da atividade, com possibilidade de retomada posterior.

O cenário seria diferente se as taxas reais voltassem a subir para níveis próximos dos 8,5% ou ainda mais.

Azevedo diz que o aperto das condições financeiras poderia aprofundar uma desaceleração que já estivesse em curso e que, caso esse movimento ocorra simultaneamente a uma depreciação do câmbio e a expectativas de inflação desancoradas, a pressão sobre os preços poderia aumentar.

A incerteza eleitoral, portanto, é um dos fatores que dificultam projetar a trajetória da Selic para 2027. “É difícil olhar para a frente, e essa incerteza eleitoral que a gente tem se traduz exatamente em que tipo de ajuste que a gente vai ver em 2027”, afirma Azevedo.

Para o gestor, independentemente do cenário político, a questão central será a forma como o ajuste fiscal será realizado.

Estadão Conteúdo 

T LB

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