Os líderes da França e do Reino Unido presidem nesta sexta‑feira (17) uma reunião de aliados, sem os Estados Unidos, para estudar uma missão multinacional que garanta a livre circulação do comércio no Estreito de Ormuz, quando o atual conflito no Oriente Médio chegar ao fim.
O Irã impôs um bloqueio nessa passagem crucial para o transporte marítimo depois que os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra a república islâmica em 28 de fevereiro, o que provocou uma alta nos preços mundiais da energia.
Mesmo com um frágil cessar‑fogo em vigor, os Estados Unidos mantêm seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
Os dirigentes europeus temem agora que, se o bloqueio continuar, os consumidores sofram as consequências na forma de inflação mais alta, escassez de alimentos e cancelamentos de voos à medida que o combustível de aviação se esgote.
O presidente francês Emmanuel Macron recebeu o primeiro-ministro Keir Starmer para conversações bilaterais no Palácio do Eliseu antes do início da reunião mais ampla, com a maior parte dos participantes por videoconferência.
Macron e Starmer pretendem exigir o retorno à plena liberdade de navegação e tratar das consequências econômicas do bloqueio.
As autoridades ressaltaram que essa força só seria enviada com o fim da guerra. Entre suas principais tarefas poderiam estar a remoção de minas e a garantia de que não sejam impostos pedágios pela passagem.
“Precisamos ter certeza de que contamos com um compromisso iraniano de não disparar contra os navios em trânsito, e com um compromisso dos Estados Unidos de não bloquear nenhum navio que saia ou entre no Estreito de Ormuz”, declarou um responsável da presidência francesa, que pediu anonimato.
A reunião, para a qual foram convidados cerca de 30 representantes de países europeus, de nações asiáticas, do Oriente Médio e da América Latina, é também uma oportunidade para a Europa exibir suas capacidades após ter ficado à margem dos esforços diplomáticos americanos para encerrar a guerra.
O chefe de governo alemão, Friedrich Merz, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, participarão pessoalmente da cúpula em Paris.
Os diálogos, segundo a presidência francesa, envolverão “países não beligerantes”, o que significa que nem o Irã, nem Israel, nem os Estados Unidos participarão.
Cada país candidato à missão se comprometerá “de acordo com seus meios”, de acordo com Paris. A França dispõe de um porta‑aviões, cerca de dez navios e cerca de 50 aeronaves na região.
Berlim poderia contribuir, por sua vez, para “as operações de retirada de minas ou para o reconhecimento marítimo de longo alcance”, segundo uma fonte do governo alemão.
Os chefes militares devem se reunir na próxima semana para prosseguir os debates no quartel‑general do comando militar britânico em Northwood, nos arredores de Londres, acrescentou o gabinete de Starmer.








