Quarta-feira, 29/07/26

Gastos de brasileiros com viagens ao exterior batem recorde no 1º semestre

Gastos de brasileiros com viagens ao exterior batem recorde no 1º semestre
Gastos de brasileiros com viagens ao exterior batem recorde no – Reprodução

MATHEUS DOS SANTOS E MARIA CLARA MATOS
FOLHAPRESS


Turistas brasileiros gastaram US$ 12,6 bilhões (R$ 64,5 bilhões) com viagens ao exterior no primeiro semestre de 2026, afirma o Banco Central em dados divulgados nesta terça-feira (28). O valor é o maior para o período desde o início da série histórica da autarquia, em 1995.

No mesmo período de 2025, os gastos somaram US$ 10,3 bilhões (R$ 51,83 bilhões) –a alta em 2026 foi de 22,5%. O recorde anterior havia sido registrado no primeiro semestre de 2014, quando os brasileiros desembolsaram US$ 12,4 bilhões (R$ 63,6 bilhões, em valores nominais) em viagens para fora do país.

O movimento acompanha a queda do dólar, que torna as viagens internacionais mais baratas. Em 2026, a moeda norte-americana acumula recuo de 6,76%. Nesta terça-feira (28), o dólar era cotado a R$ 5,117. Em maio, chegou a R$ 4,891, o menor valor desde janeiro de 2024.

A cotação influencia os custos de passagens, hospedagens e compras no exterior. Com a moeda americana mais barata, viajar para fora do país fica mais acessível aos brasileiros.

Em 2025, o número de passageiros em voos internacionais com origem ou destino no Brasil bateu recorde. De janeiro a novembro, foram mais de 25 milhões de passageiros –maior patamar da série histórica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), iniciada em 2000.

Investimento direto no Brasil cresce 33%

Os dados do Banco Central também mostram que o investimento direto no Brasil –a entrada de recursos estrangeiros destinados principalmente à participação em empresas e a projetos produtivos no país– cresceu cerca de 33% no primeiro semestre. Apenas em junho, o investimento direto alcançou US$ 9,07 bilhões (R$ 46,39 bilhões).

O BC também elevou a projeção para o investimento estrangeiro direto neste ano, de US$ 70 bilhões (R$ 357,84 bilhões) para US$ 75 bilhões (R$ 383,4 bilhões). Mesmo com a revisão para cima, a estimativa para 2026 permanece abaixo do registrado em 2025, quando o investimento direto somou US$ 78 bilhões ().
Para a autarquia, um desempenho mais forte das exportações favorece a entrada de capital estrangeiro em empresas brasileiras.

As exportações de soja, carne bovina e petróleo também beneficiam o país. Como exportador da commodity, o Brasil tende a aproveitar a alta dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio.

Nesta terça-feira (28), o petróleo voltou a cair, para US$ 80,68 (R$ 412,67), com a retomada do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico. Na semana passada, porém, as ofensivas levaram a cotação a US$ 102.

Outro dado divulgado pelo BC nesta terça-feira (28) foi a redução do déficit em transações correntes, indicador que reúne o saldo das operações do país com o exterior em bens, serviços, renda e transferências.

Em junho deste ano, o déficit foi de US$ 2,33 bilhões (R$ 11,91 bilhões), contra US$ 5,18 bilhões no mesmo mês de 2025.

A balança comercial registrou superávit de US$ 8,83 bilhões (R$ 45,14 bilhões) em junho, ante US$ 5,25 bilhões (R$ 26,9 bilhões) no mesmo período do ano passado.


T LB

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