A semana de 19 a 25 de outubro começa com uma combinação que preocupa consumidores e empresários: inflação acima do teto da meta, juros elevados e incertezas sobre o cenário econômico após as eleições presidenciais. A taxa Selic permanece em 13,75% ao ano, enquanto a projeção do mercado financeiro para a inflação de 2026 chegou a 5,22%. Em Goiás, o cenário afeta principalmente o poder de compra das famílias, o custo dos financiamentos e as decisões de investimento das empresas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial de setembro foi de 0,82%, após queda de 0,32% em agosto. Em 12 meses, o índice acumulou 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta nacional. O avanço dos preços representa uma pressão adicional sobre as famílias que já comprometem parte da renda com alimentação, transporte, moradia e contas essenciais.
O Boletim Focus do Banco Central apontou aumento da projeção inflacionária para 2026, de 5,01% para 5,22%. Apesar disso, o mercado ainda espera que a Selic encerre o ano em 13,25%. A atualização das expectativas, prevista para segunda-feira (19), deverá indicar se os analistas mantêm a previsão de redução dos juros diante da resistência da inflação.
Economista analisa os riscos para o consumidor e as empresas
Na avaliação econômica, a preocupação não se limita ao percentual de inflação divulgado pelos órgãos oficiais. O principal problema está na relação entre crescimento da renda, aumento das despesas essenciais e manutenção de juros elevados. Mesmo quando a economia apresenta expansão em determinados setores, o consumo pode perder força se as famílias não conseguirem preservar o poder de compra.
O contador e economista Marcelo Marques destaca a importância de observar o comportamento dos preços em conjunto com as condições de crédito. Em análise já publicada pelo Mais Goiás, o especialista afirmou que o crescimento do comércio depende da circulação de renda, mas advertiu sobre os efeitos dos juros e da inflação sobre a capacidade de consumo das famílias.
Para a próxima semana, a análise proposta pelo economista considera três fatores: o resultado da prévia da inflação, a manutenção das expectativas de redução dos juros e a influência do cenário político sobre as decisões econômicas.
“O comportamento da inflação nas próximas semanas será determinante para avaliar a trajetória da política monetária brasileira. Embora exista expectativa de redução gradual da taxa Selic, a persistência de pressões inflacionárias poderá limitar esse movimento. Para Goiás, o principal desafio consiste em preservar o poder de compra das famílias e assegurar condições de crédito compatíveis com a expansão das atividades produtivas. Uma desaceleração dos preços, acompanhada de estabilidade fiscal e previsibilidade econômica, poderá contribuir para a recuperação do consumo e dos investimentos”, avalia Marcelo Marques, contador e economista.
Goiás enfrenta diferenças entre comércio, indústria e agronegócio
Os efeitos do cenário nacional não são iguais em todos os setores da economia goiana. Conforme levantamento publicado pelo Mais Goiás, o comércio estadual acumulou crescimento de 7,4% no primeiro semestre de 2026, enquanto a indústria avançou 1,8% no mesmo período. Já a agropecuária apresentou retração de 6,1% no acumulado até maio, influenciada pela comparação com a safra recorde de 2025.
Os números mostram que Goiás mantém setores em expansão, mas enfrenta dificuldades relacionadas aos custos de produção e ao crédito. Para empresas que dependem de financiamentos, os juros elevados aumentam as despesas financeiras. No agronegócio, a variação do dólar também influencia os preços de fertilizantes, máquinas e insumos importados, além das receitas provenientes das exportações.
A inflação representa outro desafio para a economia estadual. Em julho, Goiânia acumulou alta de 5,56% nos preços em 12 meses, acima da média brasileira de 4,44%, conforme levantamento divulgado pelo Mais Goiás. Embora os indicadores mais recentes possam modificar essa comparação, os dados mostram como o aumento do custo de vida compromete parte dos ganhos de renda.
Prévia da inflação e eleições concentram atenções da semana
O principal indicador econômico será divulgado na sexta-feira (23), quando o IBGE apresentará o IPCA-15 de outubro. O índice funciona como uma prévia da inflação oficial e considera a variação de preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro. Goiânia está entre as localidades pesquisadas.
Caso o resultado supere as expectativas do mercado, poderá aumentar a cautela sobre novos cortes da Selic. Uma inflação abaixo das projeções, por outro lado, poderá fortalecer a perspectiva de redução gradual dos juros, embora a decisão dependa de outros indicadores econômicos e da avaliação do Banco Central.
Outro fator de atenção será o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O mercado acompanhará o resultado e os possíveis efeitos sobre as expectativas fiscais, cambiais e de investimentos. Na sexta-feira (16), o dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,073, após uma semana de oscilações.
Para os consumidores, a orientação financeira é observar as condições de financiamento, comparar taxas de juros e evitar assumir compromissos incompatíveis com a renda. Já para os empresários, a evolução dos indicadores ajudará a orientar decisões sobre estoques, investimentos e contratação de trabalhadores.
A próxima semana, portanto, reunirá informações importantes sobre inflação, crédito e perspectivas econômicas para o encerramento de 2026. O comportamento desses indicadores ajudará a determinar se o país conseguirá reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias sem comprometer a atividade econômica.








