As juízas Fabriziane Zapata e Luciana Rocha, integrantes da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (CMVD-DF), participaram de cursos de formação para profissionais da imprensa sobre a cobertura jornalística de casos de violência contra mulheres e feminicídio. Nos encontros, elas apresentaram o guia “Comunicação que protege – Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”, elaborado para incentivar uma cobertura que proteja as vítimas, informe a sociedade com rigor e contribua para o enfrentamento da violência de gênero.
Na segunda-feira (24), Fabriziane Zapata falou a jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em atividade que reuniu 122 profissionais e foi transmitida também de forma remota. Já Luciana Rocha participou, em 17 de agosto de 2026, do primeiro curso “Cobertura jornalística de casos de violência contra mulheres e feminicídios” do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que contou ainda com a participação da Escola Paulista da Magistratura (EPM), da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comesp) e da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPESP), reunindo cerca de 50 profissionais da imprensa.
Segundo Luciana Rocha, a capacitação no TJSP compartilhou diretrizes para a comunicação jornalística sobre feminicídios no Distrito Federal. Ela lembrou que as orientações foram construídas em parceria com o TJDFT, por meio da Coordenadoria da Mulher, com a SSPDF, a DPDF e o MPDFT, para difundir boas práticas éticas e responsáveis de cobertura, proteger vítimas, ampliar a conscientização social e evitar a naturalização e a romantização das violências contra as mulheres, além de fortalecer a rede de proteção. A magistrada afirmou ainda que uma cobertura bem feita pode salvar vidas e que uma cobertura inadequada pode gerar risco de efeito copycat, isto é, de crimes por imitação.
A participação das magistradas integra as ações do Grupo de Trabalho (GT) Imprensa e contempla a divulgação do guia “Comunicação que protege – Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”. Lançada em junho de 2026, a publicação é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), em parceria com o TJDFT, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). A publicação completa, a versão de bolso e outros materiais estão disponíveis para download no site da SSP/DF.
O material reúne orientações práticas para aplicação imediata nas redações, como checklist para cobertura jornalística, glossário de termos recomendados, protocolo para as primeiras 24 horas após o crime e modelos de serviço com canais de atendimento e proteção às mulheres. Entre as diretrizes, estão o uso do termo “feminicídio” no lugar de expressões como “crime passional”, a priorização da voz ativa e do agente da ação, a proibição de insinuar culpa à vítima e a recomendação de destacar a escalada da violência prévia, com apuração junto à polícia, familiares e rede de atendimento.
O guia também leva em conta o panorama local, dados do Brasil e referências de organismos internacionais, como ONU Mulheres, UNESCO e Organização Mundial da Saúde (OMS), além de estudos sobre o ciclo e a escalada da violência. O material dedica atenção especial à proteção de vítimas indiretas e vicariais, como crianças e adolescentes órfãos de feminicídio, à cobertura de transfeminicídios e à aplicação do conceito de interseccionalidade, com foco na visibilidade de mulheres negras, indígenas e em situação de vulnerabilidade. A publicação recomenda ainda que a cobertura jornalística não exponha nome, imagem, escola, endereço ou outros dados que permitam identificar a vítima.








