Quinta-feira, 01/10/26

Justiça manda criar plano de prevenção após transbordamento de lagoa no Sol Nascente

Justiça manda criar plano de prevenção após transbordamento de lagoa no Sol Nascente
Justiça manda criar plano de prevenção após transbordamento de lagoa – Reprodução

A Justiça do Distrito Federal reconheceu a omissão do poder público na manutenção da Lagoa 4C, no Setor Habitacional Sol Nascente, e determinou a adoção de medidas permanentes para prevenir novos alagamentos. A decisão também condenou os réus ao pagamento de indenizações a 27 famílias afetadas pelo transbordamento da estrutura em novembro de 2022.

A sentença foi proferida pela Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal em ação movida pela Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). Segundo a decisão, havia registros anteriores sobre a necessidade de limpeza, retirada de lixo, controle da vegetação e desassoreamento da lagoa.

A Justiça considerou que a condição de vulnerabilidade dos moradores não pode ser usada para atribuir às famílias a responsabilidade pelos prejuízos provocados pela falta de manutenção da bacia de contenção.

O Distrito Federal, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) deverão elaborar e implementar um plano permanente de fiscalização e manutenção da Lagoa 4C. O protocolo deverá ser apresentado em até dois meses após o trânsito em julgado da decisão, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.

Os réus também foram condenados a ressarcir os danos materiais sofridos pelos moradores, que ainda serão calculados individualmente. A sentença estabeleceu ainda indenização de R$ 50 mil por núcleo familiar por danos morais, além de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

Para a defensora pública Flávia Leite, do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (NDH) da DPDF, a decisão reforça a necessidade de políticas públicas permanentes voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Estamos falando de pessoas que, além de perderem o lugar onde viviam e seus bens, já se encontravam em situação de vulnerabilidade”, afirmou. Segundo ela, a atuação da Defensoria busca garantir que as famílias tenham seus direitos reconhecidos e não sejam responsabilizadas por uma situação que também envolve falhas na proteção e na oferta de moradia adequada.

T LB

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