PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS
A Polícia Civil pediu e a Justiça acatou a prorrogação da prisão temporária de três homens detidos por suspeita de participação na tentativa de homicídio contra o tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, 39, em 27 de junho.
Os homens estão presos há mais de 30 dias, o que necessitou de um novo pedido pelo mesmo período.
Assim, eles devem permanecer presos enquanto os investigadores finalizam o inquérito, que deve ocorrer até o início de setembro.
Após a conclusão, pode haver o pedido de preventiva para permanecerem em um Centro de Detenção Provisória até um eventual júri ou que sejam soltos.
Um quarto detido deve ter o pedido de prorrogação feito ainda nesta semana. O quarteto detido teria atuado de forma indireta no crime, dois no apoio logístico, um no abandono da motocicleta usada no ataque, e um por ter dado um valor para que a moto fosse descartada.
Ainda no âmbito do inquérito, a Polícia Civil analisa a extração de dados de celulares que retornaram da perícia. Outros aparelhos apreendidos no decorrer do processo ainda aguardam pela extração.
O atirador, identificado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) como Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias ou Peruca, segue foragido.
Em julho, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à localização e à prisão dele.
Pimentel segue internado em estado grave no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Conforme a página da Rota no Instagram, o tenente tem apresentado melhora clínica, com evolução neurológica e abertura ocular espontânea, de acordo com boletim divulgado na quinta-feira (6).
Pimentel foi baleado na cabeça. Ele estava parado em um semáforo na avenida Goiás, a principal via de São Caetano do Sul, quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta.
Segundo a investigação, Golias estava como passageiro de uma motocicleta que emparelhou com a do tenente no momento do crime; em seguida, os dois ocupantes fugiram.
A polícia diz que um terceiro suspeito ficou responsável pela condução de um Renault Logan, que teria dado suporte operacional direto ao ataque. Esse veículo teria sido usado em um monitoramento mais específico da rotina de Pimentel, conforme relatório da Prefeitura de São Caetano.
Outros dois carros foram identificados após análise de câmeras de segurança, totalizando ao menos cinco pessoas envolvidas.
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos por Lindemberg Alves na casa em que ela morava em Santo André, também no ABC paulista, em outubro de 2008.
Documento obtido pela Folha indica que o crime contra o policial foi planejado, com estudo prévio de horários e locais.






