Terça-feira, 05/05/26

Letalidade policial em SP registra 142 mortes no 1º trimestre de 2026

Letalidade policial em SP registra 142 mortes no 1º trimestre de 2026
Letalidade policial em SP registra 142 mortes no 1º trimestre – Reprodução

Policiais militares e civis em serviço mataram 142 pessoas no primeiro trimestre de 2026, em São Paulo, cinco a mais do que no mesmo período de 2025. Considerando policiais fora de serviço, o número subiu de 29 para 33 mortes na comparação anual. Os dados constam de relatório dinâmico do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), compilado pela Agência Brasil a partir de informações repassadas pelas polícias Civil e Militar.

Para a Polícia Militar em serviço, o número de vítimas se manteve em 134, igual ao de 2025. Já fora de serviço, policiais militares registraram 29 mortes de janeiro a março de 2026, três a mais que no ano anterior.

Especialistas alertam para o alto índice de letalidade policial. O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri, destacou a ausência de políticas robustas de saúde mental para os agentes e a insuficiência de mecanismos de controle do uso da força. Em entrevista à Agência Brasil, ele apontou que baixos salários, sobrecarga de trabalho e adoecimento mental na tropa criam um ambiente de risco para a população e os próprios policiais. “Cria uma polícia do confronto. Precisamos de uma polícia que resolva conflitos, não de uma polícia que crie conflitos”, concluiu Caseri.

O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Adilson Santiago, avalia que São Paulo vive uma crise na segurança pública, com aumento da letalidade e violência policial que viola direitos, especialmente de pessoas negras e da periferia. Ele criticou o despreparo, a falta de formação e comando para uma polícia mais humanizada.

Historicamente, as mortes por policiais militares em serviço caíram de 720 em 2019 para 262 em 2022, uma redução de 63,6%, segundo o MPSP. No entanto, desde 2023, na gestão atual, os números subiram: 357 em 2023 (aumento de 95 em relação a 2022), 653 em 2024 (alta de 83%) e 703 em 2025.

Caseri defendeu medidas urgentes, como enfrentar a precarização do trabalho policial, fiscalizar o uso de câmeras portáteis, revisar protocolos de uso da força, ampliar transparência e responsabilização, e instituir políticas obrigatórias de saúde mental. Ele alertou que, sem essas ações, o modelo de segurança pode ampliar a violência.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que todas as mortes decorrentes de intervenção policial (MDIPs) são investigadas pelas corregedorias, Ministério Público e Judiciário. A pasta destacou medidas para reduzir a letalidade, como aperfeiçoamento de protocolos, capacitação, uso de equipamentos de menor potencial ofensivo (investimento de R$ 27,8 milhões em mais de 3.500 unidades) e ampliação de câmeras portáteis para 15 mil. Além disso, o programa Muralha Paulista integra tecnologia e inteligência, cobrindo mais de 70% da população paulista com 125,5 mil câmeras.

T LB

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