Terça-feira, 09/12/25

Menos arroto de boi: sistema amazônico promete reduzir metano

G1

A pecuária, apontada como uma das principais fontes de gases de efeito estufa no Brasil, pode estar prestes a passar por uma transformação. Um sistema inovador, desenvolvido na Amazônia, promete reduzir o impacto ambiental da atividade, ao mesmo tempo em que impulsiona a produtividade.

Conhecido como Sistema Guaxupé, o método foca na diminuição da produção de metano, um gás liberado pelo gado durante a digestão. A técnica foi considerada uma alternativa que equilibra sustentabilidade e rentabilidade.

O segredo do sistema reside no amendoim forrageiro, uma planta que funciona como capim e que, ao contrário do amendoim comum, possui características especiais. Além de contribuir para a redução de agrotóxicos, ao nutrir o solo e inibir o crescimento de ervas daninhas, o amendoim forrageiro é essencial para o processo.

No entanto, a aplicação do Sistema Guaxupé exige solos úmidos e um investimento inicial possivelmente mais alto, devido à raridade da planta e ao seu desenvolvimento mais lento.

O Sistema Guaxupé se apoia em quatro pilares fundamentais: a diversificação estratégica das espécies forrageiras, a autossuficiência em nitrogênio por meio do amendoim forrageiro, a tolerância zero a plantas daninhas e o manejo adequado do pasto, garantindo que o gado seja bem alimentado durante todo o ano. A diversificação do capim, com o plantio de diferentes tipos adequados a cada solo, minimiza riscos de perdas por pragas e doenças. O nitrogênio, essencial para a produtividade do pasto, é fixado no solo pelo amendoim forrageiro, enriquecendo-o e beneficiando o ganho de peso do gado. O controle rigoroso de plantas daninhas garante um pasto limpo e saudável. O equilíbrio entre o número de animais e a capacidade da pastagem evita a degradação do solo.

A distinção entre gramíneas e leguminosas também é crucial. As gramíneas, como os capins tradicionais, produzem massa rapidamente, mas com menor valor nutricional. Já as leguminosas, como o amendoim forrageiro, são mais nutritivas e possuem bactérias fixadoras de nitrogênio nas raízes, dispensando o uso de fertilizantes químicos. Além de nutrir o solo, o amendoim forrageiro acelera o ganho de peso do gado, permitindo um abate mais precoce e, consequentemente, uma redução nas emissões de gases do efeito estufa por quilo de animal produzido. A presença de componentes que afetam a ruminação também contribui para a menor produção de metano, otimizando o uso de energia pelo animal e aumentando sua produtividade.

O Sistema Guaxupé surgiu após produtores relatarem a morte de pastos causada pelo excesso de umidade. A pesquisa revelou que as leguminosas são mais resistentes a solos úmidos. Embora tenha se originado na Amazônia, o sistema pode ser replicado em ambientes similares, como o litoral brasileiro, a Mata Atlântica e áreas do Cerrado. A implementação exige paciência e um investimento inicial maior, devido à disponibilidade limitada de sementes e ao processo de colheita ainda predominantemente manual.

Fonte: g1.globo.com

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