01/05/2019 às 18h45min - Atualizada em 01/05/2019 às 18h45min

Mãe apontou esconderijo de aluno que matou professor em Valparaíso

Rapaz foi achado em cima de uma árvore no Pedregal, no Novo Gama. Ele desceu, abraçou a mãe e seguiu para a delegacia

Menos de 24 horas depois de entrar na Escola Estadual Céu Azul, em Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal, e disparar dois tiros contra o coordenador do colégio Júlio Cesar Barroso de Sousa, 41, o adolescente de 17 anos foi apreendido. Segundo a Polícia Civil de Goiás, a própria mãe indicou onde ele estava.

Mesmo abalada, ela levou os policiais até o esconderijo do rapaz, que é aluno do segundo ano do ensino médio da escola. Por volta das 12h30 desta quarta-feira (01/05/2019), ele foi achado em cima de uma árvore, na casa de uma conhecida da família dele, no Pedregal, Novo Gama (GO). A mulher pediu e o estudante se entregou.

Ao assumir o plantão às 9h desta quarta-feira (01/05/2019), o delegado Rafael Pareja decidiu buscar a ajuda da mãe do adolescente. “Fui até a casa dela. Ela estava com muito medo e chorava muito. Dei minha palavra de que ele seria apreendido sem constrangimentos e com a integridade física preservada”, contou o responsável pela investigação.

Confiando no delegado, a mulher contou que o filho estava escondido em uma casa no Pedregal. “Ela foi até ele, que desceu. Os dois trocaram um abraço e o rapaz se entregou”, relatou Pareja. O menino passará a noite desta quarta na delegacia do Valparaíso. Na quinta-feira (02/05/2019), será apresentado ao juiz e promotor da Vara da Infância e da Juventude. Na sequência, será encaminhado para um centro de internação de menores.

De acordo com o delegado, o jovem disse que tudo começou a partir de um desentendimento com o professor. “Ele contou que os dois teriam batido boca. O adolescente teria tido uma discussão com outra professora e a xingou. Segundo o garoto, o professor teria sido rude e o ‘enxotado’ da escola”, relatou Pareja.

A polícia não encontrou a arma do crime e quer saber se o acusado teve ajuda para cometer o assassinato. O rapaz estudava no segundo ano do ensino médio. Ele entrou na escola, uniformizado e com um revólver na cintura, por volta das 15h de terça-feira (30/04/2019) e executou a vítima, a sangue frio.

No momento do crime, os estudantes saíam das salas para o intervalo. Houve pânico, corre-corre e gritaria. Muitos se esconderam dentro das salas de aula e chegaram a pensar que se tratava de um ataque como o de Suzano, em São Paulo. Outros deixaram o colégio pela porta principal, que fica ao lado de uma feira popular do município goiano, localizado a 35 km de Brasília.

Testemunhas confirmaram que o estudante teve uma discussão com uma professora na manhã de terça-feira (30/04/2019). Após saber que o garoto xingou a docente, o coordenador Júlio chamou a atenção do garoto – disse que ele seria transferido. O adolescente retrucou: “Isso não vai ficar assim. Você não sabe com quem está mexendo”.

Em seguida, deixou a escola. Voltou à tarde. Como estava uniformizado, conseguiu entrar na instituição de ensino. Logo após, invadiu a sala dos professores e teve uma breve discussão com a vítima. Minutos depois, o estudante disparou contra o coordenador.

 

Testemunhas confirmaram que o estudante teve uma discussão com uma professora na manhã de terça-feira (30/04/2019). Após saber que o garoto xingou a docente, o coordenador Júlio chamou a atenção do garoto – disse que ele seria transferido. O adolescente retrucou: “Isso não vai ficar assim. Você não sabe com quem está mexendo”.

Em seguida, deixou a escola. Voltou à tarde. Como estava uniformizado, conseguiu entrar na instituição de ensino. Logo após, invadiu a sala dos professores e teve uma breve discussão com a vítima. Minutos depois, o estudante disparou contra o coordenador.
 

Segundo o delegado Rafael Abrão, titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Valparaíso, primeiro o atirador acertou a cintura de Júlio Cesar, pelas costas. A vítima correu e caiu. Em seguida, levou um tiro na cabeça quando já estava no chão. À curta distância. Outros dois disparos foram feitos, mas não teriam atingido o educador.

MATHEUS GARZON/METRÓPOLES
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A comunidade escolar se comoveu com a tragédia

 

“Desespero”
Um aluno do sétimo ano do ensino médio disse que estava no galpão ao lado da sala dos docentes na hora. “Bateu o sinal para a troca de professores. Eu estava na aula de educação física e ouvi os tiros.” Ainda de acordo com o rapaz, foram momentos de desespero. “A princípio, achei que era brincadeira, mas, quando todos os professores correram para o galpão, vi que era sério”, relatou.

Outro estudante, do oitavo ano, diz ter visto o coordenador minutos antes do assassinato. “A gente estava na aula de matemática e ele passou para recolher nossos trabalhos. Gente boa, falava com todo mundo. Uma pena”, lamentou.

No momento do crime, ele estava no portão da escola. “Ninguém sabia direito o que aconteceu. Foi só uma correria. Os alunos não têm acesso ao portão de trás, então era muita gente para uma saída.”

Ao ouvir os disparos, uma estudante disse ter alertado a uma professora que ainda estava em sala de aula. A docente teria achado que se tratava de bombinha. Quando saiu, deu de cara com uma cena chocante. O professor estava caído no chão, ensanguentado. Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda tentaram reanimá-lo, em vão.

Manifestação
Um dia depois do assassinato, professores do centro de ensino se reuniram em frente ao colégio para prestar homenagens à vítima e pedir mais segurança nas instituições escolares da região. Muito emocionados e vestidos de preto, em sinal de luto, lembraram os últimos momentos do colega e o terror que passaram na tarde de terça-feira (30/04/2019).