Sexta-feira, 17/07/26

Número de multas por avanço de sinal vermelho cresce no DF

Número de multas por avanço de sinal vermelho cresce no DF
Número de multas por avanço de sinal vermelho cresce no – Reprodução

Cresceu o número de multas por avanço de sinal vermelho no Distrito Federal. Um levantamento da fintech especializada em débitos veiculares Zapay mostrou que ao comparar os períodos de janeiro a maio de 2025 e 2026, houve um aumento de 16,26% nesse tipo de infração. O levantamento leva em consideração informações da base de dados da Zapay. O Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) também identificou aumento nas autuações de motoristas que avançaram o sinal vermelho.

De acordo com o Detran-DF, foram 48.942 multas por avanço de sinal vermelho entre janeiro e maio do ano passado. Já no mesmo período neste ano, foram registradas 52.944 autuações. O departamento registrou um crescimento de 8,18% no número de autuações. Os dados, segundo a autarquia, são preliminares e referem-se às autuações registradas pelos órgãos de trânsito da capital: Detran-DF, Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF).

Avançar o sinal vermelho do semáforo ou o de parada obrigatória – exceto onde houver sinalização que permita a livre conversão à direita, nos termos do art. 44-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – é infração gravíssima. São 7 pontos na CNH e multa de R$ 293,47.

Além de apresentar perigo em cruzamentos, a ação de furar o sinal vermelho também coloca em risco pedestres na capital. O JBr foi até a Avenida Alagados, em Santa Maria, onde um semáforo destinado para pedestres é constantemente desrespeitado. Em alguns minutos no local, a reportagem flagrou diversos motoristas avançando sobre a faixa de pedestres quando a preferência era dos pedestres.

Raimunda de Oliveira, aposentada de 73 anos, mora em Santa Maria e relatou que precisa ter muito cuidado ao atravessar a pista, mesmo se o sinal estiver verde para o pedestre. “Eu já estou acostumada a olhar bem para longe [para atravessar] só para ter certeza que não vem carro mesmo, porque tem uns motoristas que não respeitam o sinal vermelho”, contou. Ela comentou que é comum apertar o botão, o sinal fechar e mesmo assim os motoristas continuarem passando. “Eu tenho medo, outro dia uma senhora quase foi atropelada por aqui quando ela foi atravessar”, disse. “Eu mesma só passo se o carro estiver longe, eu não confio. Tanto que para os que obedecem [o sinal], eu digo ‘Deus te abençoe’ na hora de passar”, completou Raimunda.

O Detran-DF informou ao JBr que realiza rotineiramente ações de patrulhamento e de fiscalização para coibir a prática de infrações em todo Distrito Federal. Segundo o departamento, além dessas ações presenciais, a fiscalização é complementada por equipamentos eletrônicos, como radares e outros dispositivos de monitoramento, que contribuem para a promoção da segurança viária e o cumprimento da legislação de trânsito.

Outras infrações

De acordo com o levantamento da Zapay, o avanço de sinal não foi a única infração de comportamento a ganhar espaço no DF. As multas por falta de cinto de segurança cresceram 9,07% e o defeito na iluminação ou sinalização do veículo teve alta de 11,89%. Juntas, essas variações sugerem que o aumento de risco no trânsito da capital não se limita a um único tipo de infração.

O excesso de velocidade segue sendo a marca registrada do trânsito da capital. A categoria responde por 55,83% de todas as multas do DF, quase o dobro da média nacional, de 32,62%. O uso de celular ao volante, por sua vez, se manteve estável, com variação de apenas -1,54%, de 2,59% para 2,55% do total de infrações, mas a estabilidade não deve ser confundida com solução. Dirigir distraído pelo celular reduz o tempo de reação do motorista em frações de segundo que, no trânsito, separam um susto de um acidente grave.

Ao analisar os dados de estacionamento e parada proibida no DF, o cenário é positivo segundo a pesquisa. A infração recuou 30,83%, a maior queda entre todas as categorias analisadas, e não foi a única a melhorar. As infrações por falta de CNH ou condução sem habilitação seguiram na mesma direção, com queda de 10,73% no DF, outro indício de que parte do comportamento de risco no trânsito da capital vem perdendo espaço, de acordo com a Zapay. Os débitos relacionados a IPVA e licenciamento respondem por 3,57% das infrações identificadas na base Zapay no DF em 2026. Além das multas de comportamento, esse tipo de pendência também pesa no dia a dia de quem dirige na capital. 

T LB

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