A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) se pronunciou na tarde desta quinta-feira (16) sobre as mortes de duas gestantes registradas no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), em um intervalo de apenas três dias. De acordo com representantes da pasta, não houve negligência por parte das equipes que atuaram no atendimento às pacientes. O secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, explicou ainda que o pedido de uma das gestantes para que fosse iniciada uma cesariana não foi atendido, pois o procedimento poderia agravar o quadro clínico da paciente.
Maria Graciana
A primeira morte ocorreu na sexta-feira (10). Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o trabalho de parto no HRSam. Segundo familiares, ela estava com 41 semanas de gestação e permaneceu por horas em trabalho de parto normal. A filha nasceu com vida e segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade.
“A paciente deu entrada no Hospital Regional de Samambaia às 11h23 do dia 9 de julho. Após o atendimento médico, foi indicado todo o protocolo de indução do parto, com o consentimento da paciente e do acompanhante”, detalhou Juracy.
O chefe da pasta afirmou que a paciente também foi reavaliada diversas vezes até a noite do mesmo dia em que deu entrada na unidade de saúde.
“Eu quero dizer que essa paciente, em momento algum, foi negligenciada durante o seu atendimento”, disse o secretário.
Por volta de 1h, Maria Graciana foi encaminhada para a realização da cesariana, mas, durante o procedimento, conforme a equipe responsável, a paciente apresentou um quadro de atonia uterina. Conforme a explicação de Juracy, “o útero vai se dilatando conforme o tamanho da criança e, quando você retira o bebê, esse útero tem que se contrair novamente. Mas essa paciente não conseguiu”.
Consequentemente, Maria Graciana sofreu um quadro de hemorragia. Ainda conforme as informações do secretário, a equipe médica realizou todas as manobras necessárias, incluindo, na etapa final, uma histerectomia. No entanto, a hemorragia se agravou e a paciente morreu. Juracy destacou que a atonia uterina tende a provocar hemorragias na maioria dos casos em que ocorre.
Maria Aparecida
O segundo caso envolveu Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, que morreu na segunda-feira (13), após dar à luz no mesmo hospital. Conforme relatos de familiares, a jovem procurou atendimento no domingo (12) e teria pedido uma cesariana, que não foi realizada pela equipe médica.
O secretário de Saúde afirmou que Maria Aparecida estava com 38 semanas de gestação, deu entrada na unidade às 5h21 e também passou por diversas avaliações. Nas primeiras avaliações, a mãe e o bebê apresentavam quadro clínico sem alterações.
“Essa paciente, o parto teve progressão, a criança nasceu bem”, salientou o secretário.
No entanto, de acordo com o relatório apresentado pela equipe médica, durante o pós-parto a paciente apresentou um sangramento nasal (epistaxe). Diante do sintoma, a equipe de plantão suspeitou de um distúrbio de coagulação e iniciou um novo protocolo.
“Nós tivemos uma hemorragia maciça dessa paciente. Ela foi novamente conduzida ao centro obstétrico para fazer a revisão do parto. Mas o que nós observamos, por meio dos exames laboratoriais, é que essa paciente apresentava, sim, um distúrbio de coagulação”, disse.
O secretário enfatizou que distúrbios de coagulação dificilmente são revertidos, o que poderia ter sido agravado caso a paciente tivesse passado por uma cesariana.
“E eu tenho absoluta certeza de que tentaram de tudo mesmo, porque eu conversei com os médicos que fizeram esse atendimento”, afirmou.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga os dois casos, que também são acompanhados pelo Ministério da Saúde. Segundo a Secretaria, as equipes de plantão no período estavam completas e todos os procedimentos adotados serão analisados pelas autoridades competentes.
Declaração da governadora
Na quarta-feira (15), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que determinou uma apuração rigorosa e que os casos são tratados como prioridade pelo governo. Segundo ela, as imagens do sistema de monitoramento da rede pública serão disponibilizadas aos familiares das pacientes e aos responsáveis pelas investigações.
“Chamamos várias reuniões. O secretário de Saúde chamou toda a equipe, porque a gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais. Estamos reforçando as nossas diretorias, as nossas chefias, trabalhando muito na humanização”, afirmou a governadora.
Celina também declarou que não haverá proteção a eventuais responsáveis por falhas durante os atendimentos. “Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, disse.
O Ministério da Saúde informou que acompanha a apuração junto à SES-DF e que dará apoio técnico na análise dos casos. A pasta destacou ainda a importância do acompanhamento pré-natal para a prevenção de complicações durante a gestação, o parto e o período pós-parto.








