Segunda-feira, 04/05/26

O Brasil é um país conectado? Especialistas respondem e dados revelam cenário

Conectividade

Conectividade no Brasil: cenário atual e desafios

Dentro de definições amplas, o Brasil pode ser considerado um país conectado, pois todos os 5.500 municípios estão interligados por uma rede de telecomunicações integrada. Contudo, em um país com as dimensões e a diversidade social do Brasil, é fundamental considerar o conceito de conectividade significativa. Essa perspectiva é defendida por Hermano do Amaral Pinto Junior, Group Director da Informa Markets e Diretor Geral do Futurecom, a maior feira de tecnologia da América Latina.

Hermano explica que a conectividade abrange a qualidade do acesso, a disponibilidade de dispositivos e as habilidades digitais da população. Sob essa ótica, o país ainda enfrenta um grande desafio para levar a conexão a todos os domicílios, escolas e empresas. Isso impõe metas relevantes de inclusão digital nacional, mesmo com o Brasil possuindo a terceira maior rede de banda larga fixa do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Dados da Anatel e crescimento da banda larga

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reportou 50,839 milhões de acessos de assinantes de banda larga no Brasil em setembro de 2024. Isso representa uma adição de 2,2 milhões de novos contratos ao longo do ano passado. Na divisão entre grandes e pequenas prestadoras, o segundo grupo é responsável por 28,1 milhões de acessos, correspondendo a 55% do mercado nacional.

Os grandes grupos, por sua vez, detêm 45% ou 22,7 milhões de acessos. Jayro Navarro Junior, engenheiro e consultor empresarial com 34 anos de atuação no setor de Telecomunicações, destaca que outro fator preponderante neste crescimento é o uso de fibra óptica para fornecimento de banda larga. Dados oficiais indicam que as conexões via fibra óptica atingiram 41,3 milhões em outubro, representando um aumento de 4,5% em relação a setembro (39,5 milhões). Além disso, os acessos móveis totalizaram 256,2 milhões de usuários ao final de 2023.

Fatores impulsionadores da conectividade

O especialista também aponta que a universalização dos serviços de Telecomunicações, a implementação do 5G e a entrada de novas operadoras que adquiriram licenças tornaram o acesso a novos serviços mais acessíveis, impulsionando um crescimento exponencial da conectividade. Ele ressalta que os dispositivos IoT – Internet das Coisas (Internet of Things), como câmeras, TVs e outros aparelhos residenciais ou industriais, geraram uma demanda substancial por melhores serviços. Além disso, a facilidade de uso de novas plataformas também contribui para a obtenção de conexão.

Inteligência Artificial e a Conectividade no Brasil

Brasileiro busca Inteligência Artificial na palma da mão

Atenta à tendência do consumidor por maior conectividade, a Samsung investiu na linha de Inteligência Artificial móvel há um ano. O lançamento do Galaxy AI no Galaxy S24 iniciou o caminho para que experiências poderosas estivessem acessíveis nas mãos dos usuários. Renato Citrini, Gerente Sênior de Produto de Mobile Experience da Samsung Brasil, afirma: “Desde então, com o compromisso de levar os benefícios da AI a mais pessoas, expandimos o alcance desta tecnologia para mais de 200 milhões de dispositivos em todo o mundo, introduzindo o Galaxy AI para smartphones Galaxy Z, Galaxy Tab, PCs Galaxy Book, wearables e muito mais.” Ele acrescenta que, como líderes em AI móvel, estão comprometidos em colaborar com a indústria e órgãos reguladores para garantir que a AI se desenvolva de maneira a beneficiar positivamente os usuários e a sociedade.

Em uma entrevista durante um evento de lançamento do novo Galaxy S25, o executivo assegurou que a marca pretende atingir o maior número possível de consumidores. Para isso, apresentará versões com Inteligência Artificial em aparelhos com custo-benefício mais acessível. “Estamos incluindo a AI em outras linhas e hoje oferecemos opções de aparelhos que já utilizam um pouco dessa tecnologia, é claro, com as limitações de cada processador, em celulares que custam a partir de R$ 2.000, por exemplo”, explicou. “Nossa meta é democratizar as experiências e facilitar cada vez mais o dia a dia do brasileiro em geral, atendendo tanto o consumidor mais tecnológico quanto o cliente menos adaptado às inovações.”

Por meio de pesquisas, a marca observou que a barreira para o uso da AI está diminuindo progressivamente. Esse cenário favorece o mercado como um todo e contribui para que o Brasil se torne uma nação conectada. Renato Citrini detalha: “Nosso objetivo é levar essas experiências ainda mais longe, para mudar a maneira como as pessoas interagem com o mundo por meio da tecnologia e tornar a vida mais fácil hoje e amanhã.” Ele exemplifica que, com o novo lançamento, é possível realizar múltiplas tarefas simultaneamente, operar comandos por voz, otimizar agenda e compromissos, e traduzir chamadas em tempo real, entre outros. “Ou seja, queremos um mundo conectado, incluindo o Brasil, claro”, conclui.

Perspectivas e o Futuro da Conectividade no Brasil

Mercado em crescimento e consumidor mais exigente

Às vésperas do “Mobile World Congress”, que reunirá mais de 100.000 profissionais de 140 países em Barcelona entre os dias 3 e 6 de março, os especialistas em tecnologia demonstram ansiedade e otimismo. O tema central do evento, “Convergir – Conectar – Criar”, reflete o momento atual da indústria. Hermano do Amaral Pinto Junior declara que “toda a transformação que a Inteligência Artificial está trazendo resulta do adensamento das demandas por conectividade significativa”. Ele acrescenta que isso impõe grandes desafios e obrigações a todos os participantes do mercado para que seja alcançado um modelo economicamente sustentável, energeticamente eficiente e capaz de lidar com as possibilidades evolutivas abertas pela tecnologia.

Este ano, o Futurecom celebra 30 edições, tendo iniciado em 1991, período em que o movimento de digitalização do país começava. Hermano do Amaral Pinto Junior observa: “O setor de telecomunicações cresceu e evoluiu promovendo a personalização das redes e dos serviços de conectividade.” Nesse sentido, o Futurecom consolidou-se como o maior evento de tecnologia da América Latina, atraindo mais de 30.000 pessoas e 5.000 congressistas.

De acordo com a Grand View Research, o mercado de IA deve _crescer quase 30%_ neste ano, impulsionado pelo uso crescente de assistentes virtuais e chats. As marcas, ao perceberem a demanda por experiências mais imersivas, investirão em Inteligência Artificial. Elas criarão estratégias para tabular o comportamento de consumo com base em dados móveis.

Jayro Navarro Junior comenta: “O mundo mudou, e tanto o consumidor quanto as empresas compreenderam essa realidade. Basta analisar o aumento da popularidade dos pagamentos digitais, que se consolidam cada vez mais no mercado. Além disso, a expansão do 5G, o crescimento dos eventos e o tráfego gerado pelo relativamente novo marketing de influência provocaram uma transformação no cenário atual.” Ele conclui: “Estamos vivendo a era da inovação com interatividade, e acompanhar esse movimento é vital para a economia mundial, a integração e a evolução como um todo.”

Aumento da Demanda por Dados e o 5G

A facilidade de uso de novas plataformas impulsionou a obtenção de conexão. Para os próximos anos, a demanda por dados experimentará um grande crescimento, prevê a GSMA – Associação Global de Operadoras Móveis. Um relatório recente da GSMA indica que o consumo mensal médio aumentará de 4,7 GB para 23,9 GB este ano. Esse aumento será impulsionado pelo consumo de vídeo e pelo uso de smartphones. O Brasil, novamente, se destacará, com uma previsão de 175 milhões de smartphones em uso até 2025. A GSMA também revela que, no final do ano passado, apenas 5% das conexões na América Latina utilizavam a rede 5G. Contudo, o ritmo de crescimento deve acelerar, e a expectativa é que, em 2030, 55% das conexões utilizem essa tecnologia, conforme o estudo “A economia móvel na América Latina.”

A rede 5G pura oferece aos usuários maior qualidade de imagem e rapidez no download de arquivos. Além disso, proporciona melhorias significativas em setores como indústria, comércio, agricultura e saúde, bem como em aplicações de realidade virtual e carros autônomos. No contexto da América Latina, o Brasil se destaca com um índice de utilização da rede 5G superior ao resultado conjunto de toda a região. Ao final do ano passado, o país registrava 9% das conexões via 5G, enquanto 83% eram por 4G. As conexões 2G e 3G ainda eram utilizadas, respondendo por 4% e 3% das conexões, respectivamente. Jayro Navarro Junior finaliza: “Agora, caberá ao mercado gerar demanda que promova a real massificação da tecnologia até que, finalmente, alcancemos os carros conectados, ou aguardar o 6G depois de 2030”.

Por Correio de Santa Maria, com informações de Anatel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *