A Parada do Orgulho LGBTQIAP+ de Taguatinga, uma das manifestações populares mais antigas e expressivas do Distrito Federal, pode se tornar oficialmente um Patrimônio Cultural Imaterial da capital federal. É o que propõe o Projeto de Lei 2.390/2026, protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pelo deputado distrital Fábio Felix (PSol).
O texto do projeto estabelece que o reconhecimento abrange não apenas o cortejo anual, mas todo o complexo cultural que envolve o evento: as performances artísticas, as manifestações políticas, as ações educativas, as práticas comunitárias e a memória coletiva construída ao longo de quase duas décadas nas ruas da região administrativa.
Diferente de uma homenagem simbólica, a declaração de patrimônio imaterial confere um status jurídico de referência cultural. Na prática, a proposta prevê que o Poder Público poderá apoiar ações de salvaguarda, difusão da memória, documentação e prevenção à violência voltadas para o evento.
“Trata-se de medida de salvaguarda pública de uma manifestação reiterada no tempo, dotada de densidade cultural própria, de capacidade mobilizadora e de profundo enraizamento na vida social de Taguatinga e do Distrito Federal”, justifica o parlamentar no texto.
Se aprovada, a lei deve impulsionar políticas públicas de fomento à cultura local e à economia criativa, além de garantir maior estrutura de segurança e acessibilidade para as próximas edições.
Histórico
A Parada de Taguatinga consolidou sua continuidade histórica após o hiato da pandemia de covid-19. O evento realizou sua 15ª edição em 2022 e chegou à histórica 18ª edição em 2025, ocupando tradicionalmente a Praça do Relógio com uma ampla programação política e cultural.
A trajetória do evento está intimamente ligada ao Grupo Estruturação, organização pioneira no ativismo LGBTQIAP+ no Distrito Federal que celebrou 30 anos de existência recentemente. Locais centrais de Taguatinga, como a Avenida das Palmeiras e o Pistão Norte, transformam-se anualmente em “lugares de memória”, onde o afeto e a reivindicação de direitos ganham o espaço urbano.
O Distrito Federal já havia dado reconhecimento do evento. Em outubro de 2025, foi aprovada a Lei nº 7.755, que incluiu a Parada de Taguatinga no calendário oficial de eventos do DF, fixando sua realização para o terceiro domingo de setembro. O novo projeto de Fábio Felix busca aprofundar esse reconhecimento, elevando a manifestação ao patamar de preservação histórica.
De acordo com a proposta, a iniciativa de Taguatinga acompanha um movimento nacional de valorização da memória da comunidade LGBTQIAP+. Projetos semelhantes foram convertidos em lei em outros estados e municípios brasileiros recentemente.








