Rio, 12 – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio em alta de 0,58%, após chegar a 0,67% em abril. Apesar da desaceleração, foi o maior patamar para o mês desde 2021 (0,83%), além de ter superado a previsão feita por analistas de mercado (0,53%). A inflação voltou a ser puxada, principalmente, pelo preço dos alimentos, além de gastos com energia elétrica e saúde.
Com o resultado, a taxa acumulada em 12 meses acelerou pelo terceiro mês consecutivo, passando de 4,39%, até abril, para 4,72%, se distanciando ainda mais do centro da meta de inflação (3%) e ultrapassando o teto de 4,5%. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir para definir a nova taxa básica de juros. Para analistas, a inflação mais alta pode apertar o espaço do Copom para novos cortes da Selic, que hoje está em 14,5%.
Pesquisa fechada na quarta-feira pelo Projeções Broadcast mostrou que, de um universo de 49 instituições consultadas, 40 apostam em novo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic. Mas houve piora nas previsões para a taxa em dezembro, indicando a percepção de que o Copom pode ter de rever o atual ciclo de cortes. Casas como Barclays, JPMorgan e BNP Paribas, por exemplo, já apostam em um juro básico no patamar de 14% ao fim de 2026, ante mediana de 13,25% em levantamento de 5 de maio.
“Além da preocupação com a inflação corrente, também influenciam o fim do ciclo de corte de juros o cenário externo mais complexo e as expectativas de inflação em alta”, afirmou o economista do ASA Leonardo Costa, ao avaliar o IPCA de maio. Já o economista Carlos Lopes, do Banco BV, afirmou que, além de um contínuo impacto da guerra no Oriente Médio, os dados de maio apontam pressões de demanda doméstica aquecida e problemas de oferta. Lopes relembra que o Copom indicou continuar o ciclo de cortes da Selic, mas que uma pausa agora também seria plausível.
“Já há sinais bem relevantes de pressões inflacionárias para isso.” Para o Bradesco, a inflação deve seguir rodando acima do limite superior da meta, de 4,5%, nos próximos meses.
VARIAÇÕES
Pelos dados divulgados ontem pelo IBGE, o recuo nos preços da gasolina, do etanol e do óleo diesel ajudou a deter a inflação em 0,13 ponto porcentual em maio. A gasolina exerceu o maior alívio, com queda de 1,46% e contribuição de -0,08 ponto porcentual para o IPCA final no mês.
Mas pesou o custo dos alimentos, que subiu pelo sexto mês consecutivo. O grupo Alimentação e Bebidas teve uma elevação de 1,33%, respondendo por metade do IPCA de maio. “A alta em Alimentação e Bebidas foi a maior para um mês de maio desde 2015”, afirmou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.
Houve altas, por exemplo, na batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). Na direção oposta, houve recuos de preço no café moído (-2,38%) e frutas (-0,70%). O café já acumula uma queda de 12,25% em 12 meses. “Há expectativa de safra recorde no Brasil. Tem tendência de queda de preço da commodity internacionalmente, isso favorece o preço ao consumidor final”, explicou Gonçalves. Já a alimentação fora de casa subiu 0,49% em maio: o lanche aumentou 0,49%, e a refeição teve elevação de 0,51%.
O maior “vilão” individual da inflação em maio foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67%, uma
pressão de 0,15 ponto porcentual. “Teve a bandeira tarifária amarela e teve reajuste em várias áreas”, disse o gerente do IBGE. A bandeira representa acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos.
Já em Saúde, de acordo com o IBGE, houve aumentos nos artigos de higiene pessoal (1,95%, com destaque para o avanço de 4,42% no perfume) e em plano de saúde (0,50%).
Estadão Conteúdo








