Quinta-feira, 27/08/26

Relatórios da COP17 alertam para pressão sobre água e solo

Relatórios da COP17 alertam para pressão sobre água e solo
Relatórios da COP17 alertam para pressão sobre água e solo – Reprodução

Dois relatórios lançados nesta quarta-feira (26) na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, alertam para pressões sem precedentes sobre recursos hídricos, saúde do solo e clima em mais de 50 países e territórios da Ásia Central e de pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês).

As publicações fazem parte do Global Land Outlook (GLO), principal relatório da convenção das Nações Unidas sobre a terra (UNCCD). O documento já teve duas versões gerais, o GLO1, de 2017, e o GLO2, de 2022, além de seis relatórios regionais, entre eles o da América Latina.

Na Ásia Central, formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, a imagem de estepes vastas e oásis férteis está desaparecendo. A região é apontada como um dos epicentros mundiais da degradação do solo: mais de 80 milhões de hectares, ou mais de um quarto da área, já estão degradados. O problema atinge 30% da população, cerca de 24 milhões de pessoas, e, segundo a UNCCD, provoca perdas anuais estimadas entre dois e seis bilhões de dólares.

Os relatórios também indicam que a Ásia Central está aquecendo duas vezes mais do que a média global. As geleiras, descritas como “torres de água” da região, encolheram 30% em apenas cinquenta anos.

No caso dos SIDS, que incluem 39 países e 18 territórios no Caribe, nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, além do Mar do Sul da China, cerca de 18,8 milhões de hectares de terra, ou 16,5% da área total combinada, estão degradados em diferentes graus, ligeiramente acima da média global. Mais de 70% enfrentam problemas de escassez de água e 43% da área total são afetados pela seca.

Entre esses territórios, 3% sofreram seca severa e 6% seca extrema. A área total atingida por seca extrema aumentou 30% entre os períodos de 1961/1970 e 2014/2023.

Os estudos estimam ainda que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave, enquanto 11,5 milhões estejam subnutridas. Atualmente, esses países recebem cerca de US$ 2 bilhões por ano em financiamento público para adaptação, o equivalente a aproximadamente 0,2% do financiamento climático global total. Os pesquisadores calculam, porém, que a necessidade anual mínima para adaptação é de US$ 11,7 bilhões, quase seis vezes o nível atual.

A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, afirmou que, apesar das diferenças, Ásia Central e SIDS compartilham vulnerabilidades e ainda têm possibilidade de melhora. Segundo ela, a prioridade é acelerar esse progresso com investimento na gestão responsável da terra, fortalecimento da cooperação regional e internacional e decisões de desenvolvimento que mantenham pessoas e ecossistemas no centro.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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