Câmeras com inteligência artificial e capazes de fazer reconhecimento facial começarão a ser instaladas no Rodoanel Mário Covas. Parte do anel viário que contorna a região metropolitana de São Paulo, interligando as principais rodovias do país, também será murada.
A ideia, segundo a Artesp (Agência de Transportes de São Paulo) é monitorar em tempo real os 174 km do Rodoanel, que carrega histórico de assaltos a motoristas e roubos de carga.
A previsão é concluir a primeira parte dos projetos executivos em dezembro de 2026, com início das obras em janeiro do próximo ano.
Por causa do “Big Brother” e da muralha, responsáveis pelo projeto “Rodoanel Seguro” estão chamando a rodovia de “condomínio fechado”.
O sistema está sendo desenvolvido em conjunto com a Polícia Militar Rodoviária no último dia 30 foi inaugurada uma nova base do 6º BPRv (Batalhão de Polícia Rodoviária) no trecho norte do Rodoanel.
Os equipamentos terão alta resolução, com leitura de placas e reconhecimento facial, rede de fibra óptica, sensores de intrusão para detectar invasão de pista e iluminação inteligente.
Câmeras panorâmicas de 360°, com inteligência artificial, analisarão continuamente a rodovia e podem identificar pessoas caminhando na pista, veículos trafegando na contramão, formação de congestionamentos, fumaça e neblina, entre outras situações de risco.
Os equipamentos irão integrar o Muralha Paulista, programa do governo estadual com câmeras para monitorar vias públicas.
“Na prática, uma ocorrência poderá desencadear automaticamente diversas ações, como o direcionamento de câmeras, geração de alertas e disponibilização de imagens”, diz a Artesp.
Uma plataforma inteligente será responsável por coordenar todos os equipamentos. Ela emitirá informações e alertas em tempo real.
De acordo com o governo, diferentemente de um sistema convencional de monitoramento, o projeto nasce totalmente integrado ao centro de controle da polícia.
O número total de câmeras ainda não está definido, mas somente nos cerca de 120 km administrado pela concessionária SPMar (sul e leste) haverá 30 delas.
Ainda em 2026, nesse trecho serão instaladas outras 81 câmeras com inteligência artificial que flagram motoristas que usam celular enquanto dirigem e falta de cinto de segurança. O número subirá para 127 em 2027 o primeiro desses equipamentos entrou em operação no dia 1º.
“São conjuntos de tecnologia para se previnir sinistros de trânsito, vandalimos e tentativas de roubo e furto”, diz Andrew Aquino, gerente de operações da SPMar.
Também serão erguidos 56 km de muros em áreas vulneráveis de segurança, especialmente em trechos com adensamento populacional.
Rotulados como inteligentes, esses muros terão fibra óptica sensível capaz de detectar tentativas de invasão em tempo real ao identificar uma intrusão, o sistema acionará automaticamente as câmeras mais próximas, que acompanharão o deslocamento da pessoa e enviará alertas instantâneos ao centro de controle da polícia rodoviária.
Também está prevista iluminação da estrada. “Vão dar maior visibilidade, inclusive nas intevenções noturnas na rodovia”, diz Andrew.
As três concessionárias que administram os quatro trechos do Rodoanel estão envolvidas no projeto.
O custo do monitoramento e da construção da muralha foi orçado em R$ 284 milhões pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante entrevista em maio.
“Como esses investimentos não estão originalmente previstos no contrato de concessão, os custos serão objeto de reequilíbrio econômico-financeiro pelo estado, na forma da disciplina regulatória e contratual aplicável, ainda a ser definido”, diz a Artesp, em nota.
O Rodoanel Mário Covas foi planejado nos anos 1990 para interligar as principais rodovias que chegam à capital paulista e retirar parte do tráfego de caminhões das vias urbanas.
A obra foi dividida em quatro trechos. O oeste foi inaugurado em 2002, o sul em 2010 e o leste em 2014.
O trecho norte, o mais polêmico, teve construção iniciada em 2013 e ficou paralisada a partir de 2018.
A obra foi orçada inicialmente em R$ 4,3 bilhões, mas, até 2019, já tinha consumido cerca de R$ 6,85 bilhões, tendo se tornado alvo de investigação por suspeitas de superfaturamento e corrupção.
As empreiteiras que integravam os consórcios, como Coesa (ex-OAS) e Mendes Júnior, foram fortemente atingidas financeiramente pela operação Lava Jato, entraram em recuperação judicial e acabaram declaradas como inidôneas pela União.
Em março de 2023, o consórcio Via Appia venceu a concessão para a conclusão das obras do trecho. O contrato foi assinado em agosto e a retomada do projeto ocorreu em abril de 2024.
Uma parte do trecho norte, entre as rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra foi inaugurada no fim do ano passado. A última etapa está prometida ainda para 2026.







