O Tesouro Nacional, a B3 e o Banco do Brasil lançam nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo título público que irá disputar espaço com poupança e cofrinhos de instituições financeiras. O dinheiro poderá ser sacado a qualquer hora e, ao fazer o resgate, o investidor receberá o Pix com o valor. Com aplicações a partir de R$ 1 e rendimento atrelado à taxa Selic, é voltado para formar reserva de emergência.
O título do Tesouro Direto será liberado neste momento apenas no Banco do Brasil, que tem 80 milhões de correntistas e é parceiro do projeto. A B3 afirma que outras instituições financeiras estão em fase de testes e devem ofertar o papel em breve.
As operações serão feitas pelo aplicativo Investimentos BB, com movimentação via Pix. Como terá funcionamento ininterrupto, será possível sacar ou investir 24 horas por dia nos sete dias da semana.
O principal diferencial na comparação com o Tesouro Selic, que também acompanha a taxa básica de juros, é que ele não terá marcação a mercado -mecanismo que faz o valor dos títulos oscilar antes do vencimento conforme as condições do mercado. Isso evita pequenas variações negativas que costumavam aparecer no extrato de investidores que resgatavam recursos antecipadamente.
O investimento terá rendimento a partir do primeiro dia útil após a aplicação e limite de R$ 500 mil por investidor ao mês, sem restrição para resgates.
Segundo Patricia Palomo, planejadora financeira CFP pela Planejar, o título busca reduzir barreiras que ainda afastavam parte dos pequenos investidores do Tesouro Direto por ter liquidez imediata, simplicidade operacional e previsibilidade no resgate.
A especialista diz que, hoje, muitos investidores utilizam CDBs de liquidez diária, caixinhas ou cofrinhos de bancos digitais ou fundos DI para guardar a reserva de emergência justamente porque conseguem acessar o dinheiro rapidamente e visualizar o saldo sem oscilações aparentes.
Embora o Tesouro Selic já fosse considerado tecnicamente adequado para esse objetivo, Patricia afirma que a marcação a mercado gera desconforto, principalmente entre iniciantes. “Muitos investidores ouviam que o Tesouro Selic era adequado para reserva de emergência, mas ao visualizar pequenas oscilações negativas no saldo, concluíam que tinham ‘perdido dinheiro, mesmo quando isso fazia parte da dinâmica normal da marcação a mercado”, diz.
Para ela, o novo produto aproxima o Tesouro da experiência dos cofrinhos digitais, mas com um título público federal como base do investimento.
Patrícia avalia que o Tesouro Reserva tende a ser mais vantajoso para investidores que priorizam previsibilidade e liquidez constante, inclusive fora do horário bancário. Outro ponto é que alguns CDBs de liquidez diária pagam percentuais menores que o CDI para clientes de menor patrimônio, enquanto o Tesouro Reserva tende a acompanhar mais diretamente a dinâmica da Selic. “Dependendo da instituição financeira, isso pode melhorar o retorno líquido para pequenos investidores”, diz.
Mas ela diz que o novo título não necessariamente substituirá outros produtos de renda fixa. Alguns bancos oferecem CDBs com liquidez diária, cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e rentabilidade superior ao Tesouro Reserva. Além disso, fundos DI também podem seguir atrativos para quem busca gestão profissional de caixa e integração com plataformas de investimento, apesar das taxas de administração e do come-cotas.
“O principal ponto é entender que sem marcação a mercado não significa ausência total de riscos.
Movimentações muito frequentes podem reduzir bastante a rentabilidade líquida”, afirma Patricia. Na prática, ela diz que o Tesouro Reserva tende a ampliar as alternativas disponíveis e aumentar a concorrência por recursos de curto prazo, mas a escolha ideal ainda dependerá do perfil de uso, do horizonte de liquidez e da relação entre simplicidade, retorno e conveniência para cada investidor.
COMO É O DESCONTO DO IMPOSTO DE RENDA
Valem as mesmas regras tributárias dos demais títulos públicos. Há cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos, com alíquotas regressivas (quanto mais tempo permanecer aplicado, menor o imposto).
Para saques feitos em até 30 dias, pode haver cobrança de IOF -zerado após esse prazo. A cobrança é automática, feita pela instituição financeira na fonte, sem necessidade de o investidor fazer algum pagamento à parte.
“A pessoa pode aplicar a partir de R$ 1 e resgatar quando quiser, 24×7, de forma simples. Isso reforça uma questão importante de finanças comportamentais: quando a pessoa detém um investimento, aumenta seu interesse na jornada de educação financeira”, afirma Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da Bolsa.








