O Tesouro Reserva, criado para disputar espaço com a poupança e as caixinhas de bancos e fintechs, pode trazer um ganho de R$ 1.735 acima da poupança, segundo uma simulação feita pela Folha de S.Paulo em parceria com o especialista em investimentos Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno. Essa é a diferença gerada em um investimento de R$ 20 mil por dois anos.
A simulação comparou o desempenho também em seis meses, um ano e dois anos para investimentos de R$ 1.000 e R$ 10 mil. Em todos os cenários, o título supera a caderneta.
Embora renda um pouco menos do que outros produtos bancários usados para reserva de emergência, o novo título público oferece o menor risco possível com o diferencial de saque do dinheiro a qualquer momento, 24 horas por dia.
Na simulação, a rentabilidade foi calculada com o chamado CDI over, a taxa diária praticada no mercado interbancário. É ela que incide sobre o saldo do investidor e determina o rendimento que será pago no resgate.
Veja quanto rende R$ 1.000 em cada tipo de investimento
Produto – 6 meses – 1 ano – 2 anos
CDB / caixinhas / cofrinhos 100% CDI – R$ 1.053,92 – R$ 1.118,80 – R$ 1.262,43
CDB / caixinhas / cofrinhos 102% CDI – R$ 1.054,99 – R$ 1.121,18 – R$ 1.268,43
Fundo DI taxa 0,20% – R$ 1.053,10 – R$ 1.116,21 – R$ 1.254,08
Fundo DI taxa zero – R$ 1.053,92 – R$ 1.118,07 – R$ 1.258,53
Poupança – R$ 1.040,78 – R$ 1.083,26 – R$ 1.173,46
Tesouro Reserva – R$ 1.053,92 – R$ 1.118,80 – R$ 1.262,43
Tesouro Selic (+0,0747%) – R$ 1.054,23 – R$ 1.119,52 – R$ 1.264,11
Dados do Tesouro Selic em 02/06/2026 | Taxa dos fundos DI = expressa anualmente e calculada por equivalência diária | Tabela regressiva do Imposto de Renda (22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias).
Fonte: Simulação feita pela Folha em parceria com Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno
Veja quanto rende R$ 10 mil em cada tipo de investimento
Produto – 6 meses – 1 ano – 2 anos
Tesouro Selic (+0,0747%) – R$ 10.542,34 – R$ 11.195,20 – R$ 12.641,06
Tesouro Reserva – R$ 10.539,24 – R$ 11.188,01 – R$ 12.624,28
Poupança – R$ 10.407,84 – R$ 10.832,62 – R$ 11.734,57
Fundo DI taxa zero – R$ 10.539,24 – R$ 11.180,70 – R$ 12.585,27
Fundo DI taxa 0,20% – R$ 10.530,95 – R$ 11.162,09 – R$ 12.540,83
CDB / caixinhas / cofrinhos 102% CDI – R$ 10.549,89 – R$ 11.211,79 – R$ 12.684,29
CDB / caixinhas / cofrinhos 100% CDI – R$ 10.539,24 – R$ 11.188,01 – R$ 12.624,28
Dados do Tesouro Selic em 02/06/2026 | Taxa dos fundos DI = expressa anualmente e calculada por equivalência diária | Nota: tabela regressiva do Imposto de Renda (22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias).
Fonte: Simulação feita pela Folha em parceria com Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno
Veja quanto rende R$ 20 mil em cada tipo de investimento
Produto – 6 meses – 1 ano – 2 anos
Tesouro Selic (+0,0747%) – R$ 21.076,39 – R$ 22.371,38 – R$ 25.237,60
Tesouro Reserva – R$ 21.070,20 – R$ 22.357,30 – R$ 25.204,42
Poupança – R$ 20.815,68 – R$ 21.665,24 – R$ 23.469,13
Fundo DI taxa zero – R$ 21.078,49 – R$ 22.361,40 – R$ 25.170,54
Fundo DI taxa 0,20% – R$ 21.061,90 – R$ 22.324,19 – R$ 25.081,67
CDB / caixinhas / cofrinhos 102% CDI – R$ 21.099,79 – R$ 22.423,58 – R$ 25.368,58
CDB / caixinhas / cofrinhos 100% CDI – R$ 21.078,49 – R$ 22.376,02 – R$ 25.248,56
Dados do Tesouro Selic em 02/06/2026 | Taxa dos fundos DI = expressa anualmente e calculada por equivalência diária | Nota: tabela regressiva do Imposto de Renda (22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias).
Fonte: Simulação feita pela Folha em parceria com Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno
O Tesouro Reserva sai na frente da poupança porque a caderneta sempre foi uma alternativa prática e acessível a todos, que permite saques a qualquer momento, além de ter isenção do Imposto de Renda.
No entanto, a atratividade da modalidade foi perdendo espaço porque oferece rendimento muito baixo frente a outros instrumentos também conservadores: em momentos de juros altos, paga somente um retorno fixo de 0,5% ao mês somado a uma TR (Taxa Referencial), hoje em 0,1687% ao mês. Isso representa em torno de 8,33% ao ano de rentabilidade.
Vale lembrar que o rendimento só é creditado na data de aniversário do depósito, após 30 dias. Sacar um dia antes significa perder o retorno do mês inteiro. “Investir na poupança não faz sentido”, afirma Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. “O investidor assume o risco do banco com um rendimento menor.”
Para disputar com a caderneta, diversas instituições financeiras começaram a oferecer produtos que permitem saque imediato, como fundos e CDBs com liquidez em 24 horas, além das caixinhas ou cofrinhos, que costumam investir em títulos públicos ou das próprias instituições.
Um CDB ou uma caixinha a 100% do CDI empata com o Tesouro Reserva para aportes até R$ 10 mil. Acima disso, o título fica atrás com o passar do tempo devido à incidência da taxa de custódia da B3, de 0,2% ao ano, cobrança que não existe nas emissões bancárias.
Há ainda opções que oferecem retorno acima do CDI. Embora atraente, isso indica um nível a mais de risco aceito pelo investidor. Emissões privadas carregam o risco da instituição financeira que os emitiu, ainda que rendam mais.
Para Almeida, da Suno, esse ponto é importante porque a finalidade da reserva de emergência é unir liquidez e baixo risco. “Esses pontos são plenamente entregues pelo Tesouro Reserva”, afirma.
Outra alternativa para a reserva de emergência são os fundos DI, que compram títulos privados ou públicos atrelados à Selic e ao CDI. Na simulação, foram considerados os fundos sem taxa que não têm liquidez 24 horas, mas vêm servindo de opção para a reserva nos últimos anos e um com taxa de 0,20% ao ano. A XP, o Inter e o Itaú oferecem fundos DI com resgate em qualquer momento e todos têm taxas de administração.
A cobrança em si faz com que os produtos, na largada, percam para outros sem recolhimentos adicionais. E a isso se soma o chamado come-cotas, que incide sobre qualquer fundo de renda fixa. O imposto funciona como uma antecipação do que o investidor pagaria no resgate e a alíquota é de 15% sobre o lucro a cada seis meses. Embora menos perceptível no curto prazo, isso prejudica o efeito dos juros compostos, já que cada recolhimento reduz a base de cálculo.
Uma alternativa que não oferece liquidez 24 horas é o Tesouro Selic, mas a simulação inclui o título porque ele também se tornou destino comum para o dinheiro de emergência.
Nesse caso, o Tesouro Reserva fica atrás em termos de retorno porque seu concorrente tem o chamado “spread”, ou seja, um percentual a mais pago sobre a Selic. Na última semana, essa taxa chegou a 0,0765% ao ano, conforme a plataforma do Tesouro Direto.
Esse “prêmio” a mais, porém, faz com que o título sofra um efeito chamado de marcação a mercado, a oscilação de preços que acontece todos os dias, conforme os investidores negociam a compra e a venda do papel nas plataformas.
Como o percentual é pequeno, a marcação a mercado do Tesouro Selic é menos perceptível. Mesmo assim, em momentos de grande estresse, o investidor pode ver alguma oscilação do saldo, o que não acontece no Tesouro Reserva.
Em produtos destinados à reserva de emergência, especialistas destacam cuidado com impostos e a forma como são cobrados.
Para o planejador financeiro Gustavo Jarzinski, o maior vilão é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que incide sobre resgates feitos em menos de 30 dias. A alíquota começa com 96% sobre o rendimento em um dia e é zerada após o 30º dia.
“A reserva deve ser pensada e organizada. Não é um dinheiro que deve ser usado para cobrir uma fatura ou uma conta que simplesmente passou despercebida”, afirma.
Para fazer frente a situações como essa, valores pequenos do dia a dia, que representam pouco do patrimônio total do investidor, podem ser destinados às caixinhas e contas remuneradas, desde que ofereçam retornos adequados à finalidade do produto, perto de 100% do CDI.








