Consumidor grava bandejas de frios vencidos à venda na Panificadora
A Panificadora, localizada no Gama, Distrito Federal, voltou a ser alvo de polêmicas após um cliente flagrar, por meio de vídeo, bandejas de frios vencidas sendo comercializadas no estabelecimento. O caso aconteceu no último domingo, 7 de dezembro de 2025, e gerou repercussão após as imagens mostrarem uma discussão entre o consumidor e uma mulher identificada como gerente da loja.
Segundo o cliente, que pediu anonimato por temer represálias, os produtos — presunto, mortadela e peito de peru — estavam com validade expirada desde o dia 5 de dezembro, ou seja, há dois dias. Ele relatou que já havia alertado a equipe da padaria sobre a situação na sexta-feira, mas, ao retornar ao local no domingo, constatou que os itens permaneciam à venda, sem qualquer aviso ao público. Apenas após sua reclamação direta à gerente, os produtos foram finalmente retirados das prateleiras.
Flagrante em vídeo revela descaso
No registro, o consumidor questiona a gerente sobre a exposição dos frios vencidos. Ela, em resposta, teria se dirigido ao cliente com deboche, perguntando: “Quem é você?”. O consumidor respondeu que era cliente e, diante da reação considerada cínica, passou a gravar a situação. O vídeo circula nas redes sociais e provoca indignação entre moradores do Gama.
Crime contra as relações de consumo
De acordo com o artigo 7º da Lei nº 8.137/1990, manter em depósito para venda, expor ou entregar mercadorias impróprias ao consumo configura crime contra as relações de consumo, com pena prevista de dois a cinco anos de detenção, além de multa. O episódio reacende debates sobre fiscalização sanitária e responsabilidade dos comerciantes diante da saúde pública.
Padaria já era alvo de investigação por sonegação fiscal
O flagrante acontece semanas após a Panificadora ser alvo da Operação Bethlehem, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que investiga o grupo empresarial por sonegação fiscal. Segundo apuração, os proprietários teriam deixado de recolher aproximadamente R$ 15,5 milhões em impostos entre 2017 e 2022. A operação resultou em dez mandados de busca e apreensão, além da apreensão de seis veículos e R$ 107 mil em espécie.
A investigação aponta que o grupo utilizava empresa fantasma em nome de “laranjas” — um sobrinho e um funcionário do contador da rede — para habilitar máquinas de cartão que registravam vendas fora dos balanços oficiais, reduzindo artificialmente o faturamento e, consequentemente, o pagamento de tributos. O Tribunal de Justiça do DF determinou o sequestro de bens e valores equivalentes ao montante sonegado, visando ressarcimento ao erário e enfraquecimento financeiro do grupo.
Resposta da empresa e andamento das investigações
A reportagem tentou contato com a defesa da Panificadora para obter posicionamento sobre as acusações de venda de produtos vencidos, mas, até o momento, não houve retorno. A empresa, em nota anterior à imprensa, afirmou pautar suas atividades pela “estrita legalidade e transparência” e declarou estar colaborando com as autoridades, fornecendo documentação para esclarecimento dos fatos relacionados à sonegação fiscal.
Impactos e repercussão
O caso levanta questões sobre a fiscalização de estabelecimentos comerciais e o cuidado com a saúde dos consumidores, especialmente em empresas já envolvidas em denúncias de fraude fiscal. Moradores e clientes do Gama cobram medidas mais rigorosas de fiscalização e responsabilização dos envolvidos.
A investigação segue em andamento e, enquanto isso, o consumidor espera que o flagrante sirva de alerta para que outros estabelecimentos redobrem a atenção quanto à qualidade dos produtos ofertados à população.








