Abstenção como Variável Decisiva nas Eleições
A abstenção eleitoral, frequentemente subestimada nas análises políticas, foi o foco de uma apresentação recente. O evento, promovido pelo UBS, reuniu empresários e clientes em São Paulo. O cientista político e economista Mauricio Moura, fundador da IDEIA Big Data, destacou a importância desse fator nas eleições.
Moura classificou a abstenção como um dos elementos que mais impactam os resultados eleitorais.
Perfil dos Abstencionistas e Impacto nas Eleições
O perfil dos eleitores que se abstêm do voto tem se mantido consistente desde 1989. Cerca de 55% dos abstencionistas não concluíram o ensino fundamental. Esse grupo representa aproximadamente 40% do eleitorado brasileiro e possui uma clara definição política.
A ausência desses eleitores nas urnas pode alterar o cenário eleitoral, aumentando o peso dos eleitores com maior escolaridade e renda, que historicamente demonstram menos apoio a determinados partidos.
Em 2022, essa dinâmica contribuiu para a redução da vantagem de um candidato à medida que a eleição se aproximava. As pesquisas eleitorais, que captam as intenções de voto, nem sempre conseguem prever com precisão a abstenção.
Estratégias e Desafios para 2026
A abstenção pode gerar frustração no mercado financeiro. Para compensar a abstenção de seus eleitores, um partido político precisa ter uma margem maior nas pesquisas de intenção de voto.
O comportamento do eleitor de baixa renda ajuda a explicar por que um partido nunca venceu uma eleição presidencial no primeiro turno. A demora no comparecimento desse eleitorado, somada à volatilidade do segundo turno, historicamente reduz margens que parecem confortáveis no início.
Acompanhar apenas a intenção de voto pode ser insuficiente. O foco deve estar no engajamento dos eleitores que tendem a se abster, especialmente nas áreas periféricas e de baixa renda.
O desafio para o governo é garantir que seus apoiadores compareçam às urnas.








