Segunda-feira, 17/08/26

Três anos após morte de Mãe Bernadete, família cobra justiça

Três anos após morte de Mãe Bernadete, família cobra justiça
Três anos após morte de Mãe Bernadete, família cobra justiça – Reprodução

Familiares, amigos e entidades realizam nesta segunda-feira (17) uma missa no Santuário do Senhor do Bonfim da Bahia, em Salvador, para marcar os três anos da morte de Mãe Bernadete e renovar a cobrança por justiça. A liderança quilombola foi morta com 25 tiros, a maioria no rosto, quando estava no sofá de casa, na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA).

O legado da ativista segue mobilizando a família. O neto Wellington Pacífico, de 25 anos, afirma que busca preservar a memória da avó e transformar o luto em luta. Ele está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) e ingressou no curso de direito em uma faculdade da Bahia para atuar em defesa da família e das comunidades quilombolas do estado.

Wellington relata que os acusados pela morte de Mãe Bernadete estão presos. Dois deles foram julgados em abril: Arielson da Conceição dos Santos, apontado como executor, foi condenado a mais de 40 anos de prisão, e Marílio dos Santos, descrito como um dos envolvidos no planejamento do crime, recebeu pena de 29 anos e 9 meses. Outros três acusados ainda aguardam julgamento, que a família estima para outubro, embora o Tribunal de Justiça da Bahia não tenha confirmado a data.

A família também quer manter vivo o trabalho de Mãe Bernadete por meio de projetos comunitários. O filho dela, Jurandir Pacífico, diz que deve promover um novo festival de cultura e arte quilombola e buscar parcerias para dar continuidade a iniciativas como festivais, cursos de artesanato e cozinha solidária.

A mobilização também conta com a Conaq, que exige a responsabilização dos acusados e medidas efetivas para garantir a segurança das lideranças quilombolas. A entidade afirma que a morte de Bernadete deixou um recado dolorido sobre a proteção de defensores de direitos humanos e destaca que sua memória continua presente nas comunidades quilombolas.

A historiadora Valdecir Nascimento, fundadora do Odara – Instituto da Mulher Negra, afirma que mulheres negras defensoras de direitos humanos enfrentam racismo, violência doméstica e outras violações. Segundo levantamento da Conaq citado na reportagem, pelo menos 22 mulheres foram mortas entre 2016 e 2024 e outras 33 foram ameaçadas entre 2021 e 2023. A entidade também informa que apenas 12,6% dos mais de 1 milhão de brasileiros quilombolas estão em territórios demarcados.

T LB

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