Sábado, 12/09/26

Trump diz que houthis do Iêmen pediram aos EUA para não intervir em conflito com Arábia Saudita

Trump diz que houthis do Iêmen pediram aos EUA para não intervir em conflito com Arábia Saudita
Trump diz que houthis do Iêmen pediram aos EUA para – Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (12) que os houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado ao Irã, pediram que Washington não intervenha diretamente no conflito na região.

Segundo Trump, o grupo teria entrado em contato com o governo e sinalizado que não quer um confronto com os EUA. “Os houthis nos ligaram e não querem lutar conosco”, disse o republicano a jornalistas em Dublin, na Irlanda. “Eles não querem que nós os ataquemos”, acrescentou.

As declarações de Trump ocorrem um dia depois de os houthis tomarem toda a costa do Iêmen no mar Vermelho, assumindo o controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb. O grupo entrou em cidades e ilhas da região, segundo relatos de seus rivais.

Trump afirmou ainda que os houthis estão permitindo que a maioria das embarcações atravesse a região. “Eles prefeririam muito que não estivéssemos envolvidos, e estão deixando a maioria dos navios passar. Há apenas um país com o qual eles não estão muito satisfeitos, e vamos resolver isso”, disse.

O presidente não entrou em detalhes, mas os rebeldes afirmaram na sexta, depois de assumir o controle de Bab el-Mandeb, que a navegação seria segura por essa via, exceto para os navios da Arábia Saudita.

Trump também disse que o regime iraniano provavelmente foi o responsável pelo ataque contra o oleoduto que liga os campos produtores de petróleo saudita, no leste da península Arábica, ao porto de Yanbu, no mar Vermelho. Até o momento, ninguém reivindicou a responsabilidade pelos ataques.

Essa rota é a principal alternativa para escoar o petróleo saudita enquanto o estreito de Hormuz permanece bloqueado pelo Irã. O Ministério da Energia informou que fechou o oleoduto como medida de precaução.

Trump disse ter conversado com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, a quem chamou de “amigo”. O americano afirmou ainda que “tudo vai sair maravilhosamente bem”, apesar da escalada do conflito e da estagnação das negociações diplomáticas.

Segundo o site americano Axios, Salman ligou duas vezes para Trump para pedir que os EUA atacassem os houthis, mas a ideia foi rejeitada por Washington.

É imprescindível para a Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, que o mar Vermelho possa ser navegado com segurança.

Segundo a ABC News, o governo Trump está fornecendo à Arábia Saudita apoio de inteligência e assistência para identificação de alvos, mas não planeja, neste momento, lançar ataques militares diretos contra os houthis. As informações foram dadas à emissora por dois funcionários do governo americano.

Os dois funcionários, no entanto, ressaltaram que essa avaliação pode mudar, especialmente se a ameaça às rotas de navegação no mar Vermelho aumentar.

Como parte do apoio dos Estados Unidos à Arábia Saudita, o comandante do Comando Central americano, almirante Brad Cooper, viajou ao país para reuniões na quinta-feira (10), segundo um dos funcionários ouvidos pela ABC News.

Em paralelo, as forças governamentais do Iêmen, apoiadas pela Arábia Saudita, afirmaram neste sábado ter atacado combatentes houthis em Mocha, na costa do mar Vermelho, ao norte do estreito.

Trump realiza uma viagem de 48 horas à Irlanda, onde participará de um torneio de golfe em Doonbeg, no oeste do país, onde o presidente tem um resort. Na capital, Trump se reuniu com a presidente irlandesa Catherine Connolly, eleita no ano passado.

Protestos contra a guerra e contra Trump estavam previstos para ocorrer neste sábado em Dublin e também em Doonbeg. Um manifestante chegou a exibir uma bandeira da Palestina sobre uma cerca próxima à residência da presidente irlandesa.

A Irlanda é um dos países da União Europeia mais favoráveis à causa palestina. Em julho, o país aprovou uma lei que restringe o comércio de produtos provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.

T LB

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