FOLHAPRESS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou nesta terça-feira (2) o aliado político Bill Pulte para o cargo de diretor interino de Inteligência Nacional. Com a decisão, o republicano coloca à frente do setor da inteligência americana um nome sem experiência na área de segurança nacional.
Aos 38 anos, Pulte chefia a Agência Federal de Financiamento Habitacional e também preside as gigantes do mercado hipotecário americano Fannie Mae e Freddie Mac. Segundo Trump, ele continuará exercendo essas funções enquanto assume de forma interina o comando do aparato de inteligência dos EUA.
O anúncio foi feito por Trump na plataforma Truth Social. Na publicação, ele destacou a experiência de Pulte na supervisão de instituições financeiras e na gestão de ativos ligados ao mercado imobiliário.
“William tem vasta experiência na gestão das questões mais sensíveis dos EUA, como a segurança e a solidez dos mercados”, escreveu o presidente, acrescentando que o executivo administra operações relacionadas a mais de US$ 10 trilhões por meio da Fannie Mae e da Freddie Mac.
A nomeação representa uma mudança significativa na liderança de um dos setores mais estratégicos do governo americano. O diretor de Inteligência Nacional coordena uma estrutura composta por 18 agências, entre elas a CIA, o FBI e a Agência de Segurança Nacional, responsáveis pela coleta e análise de informações sobre ameaças à segurança dos EUA e de seus aliados.
O posto ganhou ainda mais relevância nos últimos meses durante a guerra travada pelo governo Trump contra o Irã, das recentes tentativas de ataques contra o presidente e autoridades e de uma série de potenciais confrontos militares na América Latina, incluindo na Venezuela e em Cuba.
Pulte substitui Tulsi Gabbard, que deixou o cargo no final de maio. Sua passagem pela direção da Inteligência Nacional foi marcada por controvérsias desde a nomeação, em fevereiro de 2025, e por divergências com Trump, sobretudo em relação à condução do conflito com o Irã.
Segundo informações da imprensa americana, Gabbard enfrentava atritos com a Casa Branca. Ela, porém, afirmou que decidiu renunciar em razão do diagnóstico recente de câncer de seu marido.
Em março, ela contradisse o presidente ao dizer que o regime do Irã foi enfraquecido pelos ataques dos EUA em conjunto com as forças de Israel, mas que ainda parecia estar intacto. Teerã e seus aliados, acrescentou, continuavam capazes de atacar interesses de Washington e de aliados no Oriente Médio.
A fala ganhou ampla projeção já que, antes, Trump havia dito várias vezes que o Irã estava derrotado, que suas capacidades militares tinham sido destruídas e que os EUA haviam vencido o conflito. Também em março, o presidente afirmou que Gabbard era “mais branda” do que ele na forma de lidar com as ambições nucleares de Teerã.
Conhecido por sua proximidade com o presidente, Pulte é considerado um de seus defensores mais fiéis. Em diversas ocasiões, ele atacou críticos e adversários políticos do republicano, num comportamento que lhe rendeu, em parte da imprensa americana, o apelido de “cão de guarda” de Trump.
A nomeação de Pulte para um dos cargos mais sensíveis do governo americano sugere que o presidente pretende reforçar a influência de aliados próximos em áreas estratégicas do governo, em um momento de crescente tensão internacional e desafios na área de segurança nacional.








