Quinta-feira, 23/07/26

Vantagens e interesses pessoais unem o Espiritual ao profano.

Ilustração: Google

“Pastores transformam os Púlpitos em Palanque Político”.

Por: Vital Furtado

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais frequente a utilização de púlpitos de igrejas como espaços para manifestações de natureza político-partidária. O que tradicionalmente era reservado à pregação do Evangelho, ao ensino das Escrituras e ao fortalecimento da fé, em alguns casos passou a servir também como vitrine para projetos eleitorais, alianças políticas e promoção de candidatos.

A aproximação entre líderes religiosos e o meio político não é, por si só, ilegal ou ilegítima. Todo cidadão possui o direito de participar da vida pública e de defender suas convicções. O problema surge quando a autoridade espiritual é utilizada para influenciar o voto dos fiéis, criando uma relação em que a confiança religiosa se mistura aos interesses eleitorais e às conveniências pessoais.

Vantagens e interesses pessoais unem o Espiritual ao profano.
Capturar – Reprodução

Em diversas situações, a motivação parece ir além da defesa de princípios ou valores cristãos. A busca por vantagens, acesso ao poder, cargos, verbas, prestígio e influência política acaba aproximando o sagrado do profano. Quando isso acontece, o púlpito deixa de ser exclusivamente um altar de adoração para se transformar em um verdadeiro palanque, onde o discurso religioso passa a dividir espaço com estratégias de campanha.

Essa prática também produz consequências dentro das próprias igrejas. Fiéis que possuem posicionamentos políticos diferentes sentem-se constrangidos ou excluídos, enquanto a mensagem central do Evangelho perde espaço para debates ideológicos. Em vez de promover unidade, comunhão e transformação espiritual, algumas lideranças acabam contribuindo para a polarização e para divisões que alcançam até mesmo famílias e comunidades de fé.

As Escrituras registram que Jesus jamais utilizou sua autoridade espiritual para buscar poder político. Ao contrário, ensinou que seu Reino não era deste mundo e alertou seus seguidores contra a tentação da busca por posições de destaque e privilégios. A missão da Igreja sempre foi anunciar o Evangelho, servir ao próximo e conduzir pessoas à fé, preservando sua independência diante dos interesses temporais.

A participação de cristãos na política é legítima e pode contribuir para o fortalecimento da democracia e da ética na vida pública. Contudo, há uma diferença importante entre exercer cidadania e instrumentalizar a fé para alcançar objetivos eleitorais. Quando o púlpito se torna palanque e a mensagem de Cristo passa a ser confundida com propaganda política, perde-se a fronteira entre o espiritual e o profano, comprometendo a credibilidade da Igreja e enfraquecendo o testemunho cristão perante a sociedade.

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