Jullia Gouveia
Folhapress
A Justiça de São Paulo determinou na segunda (21) que sejam investigadas as acusações da vereadora de Mogi das Cruzes (SP) Malu Fernandes (PL) de que seu ex-companheiro, Mario Luiz Moreno Júnior, usou um boletim de ocorrência para persegui-la e minar o anúncio de que ela será candidata a deputada estadual. Os fatos serão incorporados ao inquérito já aberto sobre as denúncias de violência política de gênero feitas pela parlamentar contra o empresário.
A vereadora também pediu a ampliação das medidas protetivas em vigor contra ex-parceiro, conhecido como Júnior Moreno, mas não foi atendida.
Moreno atualizou em maio um boletim de ocorrência registrado em outubro de 2025, inicialmente sem autoria definida, para incluir Fernandes como responsável por um suposto dano ao apartamento onde o casal havia convivido.
Ele afirma ter encontrado a casa revirada, com objetos jogados no chão e uma jaqueta da marca Armani rasgada. Na primeira versão do B.O., Moreno afirmou que a segurança do condomínio viu nas imagens de monitoramento que uma mulher entrou no prédio usando reconhecimento facial, permaneceu nele por 20 minutos e saiu.
Na versão atualizada, ele afirma ter obtido as imagens das câmeras de segurança e identificado Fernandes como a mulher em questão.
A alteração foi feita duas semanas após a 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes conceder medidas protetivas à vereadora e determinar a instauração de inquérito policial para apurar as denúncias de perseguição, ameaças, violência psicológica e violência política de gênero apresentadas por ela.
Fernandes afirma que o ex-companheiro tentava controlar sua atuação na política durante o relacionamento e começou a ameaçá-la após o término. “Ele chegou a abordar um assessor meu direto falando que ia acabar com a minha vida e também com o meu mandato”, diz ela.
Segundo a vereadora, as medidas concedidas contra Moreno e o sócio dele Fernando Aparecido Hilário, também acusado de coação, determinam que eles não contatem a parlamentar e mantenham uma distância mínima de 200 metros dela.
A juíza Larissa Boni Valieres não deferiu, porém, o pedido para que eles fossem proibidos de fazer menções públicas à vereadora, já que Fernandes é uma pessoa pública e isso implicaria censura prévia.
A vereadora também afirma que, após a alteração do boletim de ocorrência, Moreno promoveu uma “divulgação coordenada das acusações em redes sociais e veículos de comunicação”. O fato veio à tona em 16 de julho, no mesmo dia em que Fernandes anunciou sua pré-candidatura a deputada estadual.
No dia seguinte às publicações, a parlamentar pediu a ampliação das medidas protetivas, a remoção de conteúdos publicados na internet e na imprensa e o encaminhamento dos novos fatos à Polícia e ao Ministério Público.
A Justiça deferiu que os novos fatos sejam incorporados à investigação em andamento. O juiz Heitor Moreira de Oliveira indeferiu por ora os outros pedidos, afirmando que seria necessário mais tempo para que se apresentassem provas e se colhesse a versão do acusado.
A defesa de Moreno nega todas as acusações de violência e afirma que “adotará todas as medidas judiciais cabíveis contra a divulgação ou reprodução de acusações falsas, difamatórias ou sem respaldo em decisão judicial.”
Eles reforçam que o encaminhamento dos fatos ao inquérito policial aberto “representa o trâmite normal em qualquer notícia de fato e não configura reconhecimento da veracidade das acusações.”
Os advogados afirmam ainda que o dia da divulgação da acusação de invasão domiciliar foi uma coincidência, já que precisaram esperar a disponibilização das imagens pelo condomínio.







