JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
O dólar está oscilando nesta sexta-feira (11), após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar os novos dados de inflação e informar que o Brasil teve deflação em agosto. Às 12h40, a moeda registrava leve de 0,02%, a R$ 5,100.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou 0,32% no último mês. A queda foi puxada principalmente pela conta de luz, que ficou 7,63% mais barata sob impacto temporário do bônus de Itaipu. Também houve redução nos preços de passagens aéreas (-13,17%), além de alimentos e combustíveis.
Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avalia o resultado como positivo para a economia e diz que o dado abre espaço para mais um corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom.
“Com os juros altos na casa de 14%, um dos impactos a médio e longo prazo é exatamente este: uma demanda por bens e produtos em desaceleração e, como consequência, uma deflação no período”, diz o especialista.
Rafael Sueishi, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, afirma que o principal alerta segue concentrado nos serviços. Segundo o especialista, apesar da melhora no índice agregado, os serviços subjacentes voltaram a acelerar na margem, para perto de 4,9%, enquanto os serviços intensivos em mão de obra ainda giram em torno de 7%.
Segundo ele, essa parcela é a mais ligada ao mercado de trabalho, aos salários e à renda e costuma apresentar maior persistência na inflação.
O Ibovespa está em queda. Às 12h41, o índice caía 0,42%, aos 187.462 pontos, acompanhando o movimento dos mercados no exterior. Os investidores repercutem os dados do CPI (índice de preços ao consumidor) dos Estados Unidos, último indicador de inflação antes da próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Os preços ao consumidor nos Estados Unidos aceleraram em agosto, com o avanço do custo da gasolina após duas quedas mensais consecutivas. O resultado reforçou as expectativas dos mercados financeiros de que o Fed possa elevar a taxa de juros na próxima semana.
Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, afirma que a aceleração da inflação americana foi uma surpresa. “Acredito que o dado contribui para o Banco Central americano aumentar as taxas de juros na semana que vem, tendo em vista que os dados de inflação foram acima das expectativas e não foram capazes de demonstrar uma tendência de desinflação na economia americana”, diz.
Ele aponta, no entanto, que o Fed ainda tem motivos para manter as taxas estáveis, entre eles, revisões metodológicas no PCE (principal indicador de inflação do Fed) e o fato de que uma alta dos juros antes das eleições de meio de mandato pode ser interpretada como um ato político.
Nesta manhã, o FedWatch, do CME Group, registrava 86,7% de chance de elevação dos juros para o intervalo entre 3,75% e 4%, contra 13,3% de probabilidade de manutenção da faixa atual, entre 3,5% e 3,75%.
Em Wall Street, as Bolsas operavam em alta, mesmo após a divulgação dos dados de inflação dos EUA. Às 12h42, o Dow Jones avançava 1,07%, enquanto o S&P 500 subia 1% e o Nasdaq tinha alta de 1,28%.
As taxas dos DIs abriram em baixa, também refletindo a deflação maior do que a esperada pelo mercado em agosto, na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries avançavam.
Às 9h47, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,555%, em baixa de 0,08 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,03%, com recuo de 0,13 ponto percentual.
No Brasil, os desdobramentos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) também permanecem no radar do mercado, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de parte do caso Master.
Nos últimos dias, o mercado também vem sendo influenciado pelos desdobramentos da guerra no Irã. O preço do petróleo começou a sessão desta sexta-feira (11) em alta e chegou a se aproximar de US$ 110, mas passou a cair em seguida e acumulava desvalorização de quase 4% após a informação de uma possível reunião, nos próximos dias, entre os chanceleres do Irã e de outros países do Golfo Pérsico para discutir a situação do estreito de Hormuz. A passagem está bloqueada para a navegação desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Às 12h46, o contrato para abril do Brent, referência mundial, era negociado a US$ 104, com queda de 2,66%.
A ofensiva dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, avançou nesta sexta-feira (11) rumo ao controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, porta de acesso ao sul do mar Vermelho. Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram mais uma cidade e uma ilha importante para o controle do tráfego marítimo na região.
Além disso, imagens de satélite mostraram uma grande coluna de fumaça subindo de um oleoduto que liga campos produtores de petróleo sauditas, no leste da península Arábica, ao porto de Yanbu, no mar Vermelho.
Na véspera (10), os houthis anunciaram ter tomado o controle da cidade de Mocha, considerada estratégica para o escoamento do petróleo da Arábia Saudita.
A tentativa dos houthis é ampliar o tráfego marítimo pelo estreito de Bab el-Mandeb, ao sul do porto. A rota passou a ser utilizada para escoar até 70% da produção de petróleo de Riad, segundo maior produtor da commodity no mundo, após a obstrução do estreito de Hormuz.







