JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
Além de aumentarem o faturamento das farmácias por si só, as canetas emagrecedoras geram ainda mais gastos em produtos relacionados. Segundo Jonas Marques, CEO das Farmácias Pague Menos, a cada R$ 1 gasto com medicamentos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, o cliente gasta mais R$ 8,14 com outros produtos, no chamado “cross-selling” (venda cruzada).
“Pacientes de canetas, por exemplo, compram junto o Glifage, um produto para reduzir o açúcar no sangue, e o Nugenix [suplemento de óxido nítrico]”, afirmou Marques durante painel da 27ª Conferência Anual do Santander, nesta segunda-feira (17).
Entre os outros produtos que acompanham as canetas na cesta, estão os alimentos.
“Um dos produtos mais comprados no mesmo ticket do Mounjaro, desde o início, é sorvete de 2 litros. Todos nós somos humanos, sabemos, é autoindulgência”, disse Marques.
“Vocês acham que a pessoa está tomando, na maioria, para poder fica magro, bonito, esbelto. Não, o cara está tomando para ter a carta dele de liberação, para ele poder comer qualquer coisa em qualquer momento”, disse o executivo.
Ainda segundo o CEO, o faturamento apenas com a venda de canetas já chega a R$ 134 milhões por mês, sendo 10% da rede Pague Menos.
Apesar das fortes vendas, Marques diz que comercializar esses produtos exige um investimento elevado, como em câmeras frias, necessárias para conservação.
“O primeiro pedido que a gente fez para colocar o Wegovy nas farmácias custou R$ 70 milhões e esses caras dão 20 dias de prazo. Então, imagine, você tem que ter um capital de giro gigante”, afirmou.
Marques também comentou sobre os custos com roubos desses produtos. Segundo ele, o estoque de cada farmácia é de R$ 100 mil, que são perdidos nesses crimes.
Apesar do risco do varejo físico, o executivo afirmou que ter mais de 1.700 lojas é uma vantagem de negociação.
Ele também criticou a liberação de venda de medicamento em marketplaces e ecommerce. “Seria uma irresponsabilidade sanitária.”
O executivo cita ainda a validação das farmácias para revender esses produtos, com certificação do medicamento e garantia.
Na semana passada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) abriu caminho para permitir que aplicativos de delivery como iFood e Rappi e plataformas como Mercado Livre, Americanas e Shopee possam vender remédios.
Essas empresas poderão anunciar, comercializar e entregar os medicamentos, mas as farmácias e drogarias continuarão sendo as únicas autorizadas a armazenar, fazer a dispensação (ato em que o farmacêutico fornece o medicamento e orienta o paciente sobre seu uso) e a relação com os laboratórios.
As plataformas, no entanto, só poderão começar a oferecer os remédios após a definição de regras específicas. Segundo a assessoria da Anvisa, não há previsão de data para a publicação da norma regulamentando o tema.







