Sábado, 31/10/26

Ex-sócio afirma à PF que controlador do Banco Master comandava operações de consignado

Ex-sócio afirma à PF que controlador do Banco Master comandava operações de consignado
Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 16, o dono do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, afirmou que o controlador da instituição… — Imagem: Reprodução

Economia

Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 16, o dono do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, afirmou que o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, detinha pleno conhecimento e centralizava as decisões estratégicas e operacionais das operações de crédito consignado. A declaração foi feita no âmbito da Operação Compliance Zero e diverge da versão apresentada anteriormente pelo ex-banqueiro, que alegou desconhecer detalhes do produto.

Segundo o relato de Lima, o controlador acompanhava de perto a área e teria dado contraordens expressas para processar contratos que haviam sido vetados por equipes internas. O ex-sócio também afirmou que, diante de questionamentos de auditores do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Central sobre o lastro das operações, o controlador teria orientado executivos a fornecer respostas evasivas ou falsas, sugerindo que os ativos teriam origem em fundos de investimento ou associações de servidores.

O depoimento aponta que a estrutura do Credcesta, cartão de crédito voltado a servidores públicos, teria sido utilizada para conferir aparência de legitimidade a carteiras de crédito sem lastro real, visando inflar valores negociados com o BRB. Lima sustentou que a base do Credcesta não possuía capacidade para gerar os montantes bilionários exigidos pelos órgãos reguladores.

O ex-sócio, que oficializou sua saída do quadro diretivo do Banco Master em maio de 2024, afirmou que divergia das estratégias de expansão adotadas pela instituição. A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre o caso no último dia 28, indiciando o controlador, o ex-sócio e outras 13 pessoas, incluindo o ex-presidente do BRB, por suspeitas de crimes financeiros, gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa do controlador não respondeu aos questionamentos sobre as declarações. A defesa do ex-sócio rechaçou as conclusões do relatório policial, afirmando que ele não participou de fraudes investigadas.

Entenda o caso

  • Origem: Investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
  • Principais informações: Depoimento de ex-sócio aponta que o controlador do banco detinha controle direto sobre operações de consignado e teria orientado respostas falsas a auditores.
  • Medidas anunciadas: Indiciamento de 15 pessoas, incluindo ex-executivos e o controlador, por crimes financeiros, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
  • Próximos desdobramentos: O inquérito segue para análise das autoridades judiciais competentes para as próximas etapas processuais.

Texto: Redação / Correio de Santa Maria.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress