VIROU RÉU
Novas vítimas têm procurado a delegacia após a repercussão do caso em Senador Canedo; outros casos são investigados em Goiânia
Médico está preso preventivamente e MP pede reparação por danos morais (Divulgação: PCGO)
O médico Marcelo Arantes e Silva pode ser condenado a mais de 200 anos de reclusão pelos crimes de abuso sexual cometidos contra 15 pacientes em Goiânia e Senador Canedo. Além da punição criminal pelos abusos praticados durante exames ginecológicos, o Ministério Público de Goiás (MPGO) busca garantir que as vítimas recebam uma indenização mínima por danos morais, enquanto o réu permanece preso preventivamente aguardando o julgamento. A defesa do profissional contesta e fala em “espetacularização”.
O Ministério Público, por meio do promotor de Justiça Bruno Barra Gomes, da 5ª Promotoria de Senador Canedo, ofereceu duas denúncias contra o médico. Ambas já foram recebidas pelo Poder Judiciário. O documento detalha que o ginecologista praticou diversos atos libidinosos contra as mulheres entre os anos de 2017 e 2025, em uma clínica particular da cidade.
Leia mais sobre o caso
Abusos durante procedimentos técnicos
De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o réu utilizava o pretexto de realizar exames e consultas ginecológicas para tocar as partes íntimas das pacientes fora de qualquer procedimento técnico. O MPGO sustenta que as ações tinham o objetivo exclusivo de “satisfazer à sua lascívia”. “Diante da repercussão do caso nas últimas semanas, outras mulheres têm procurado a unidade policial, o que pode levar à instauração de novos inquéritos policiais”, explicou o promotor Bruno Barra.
Na quarta-feira (6/5), o Ministério Público realizou uma operação de busca e apreensão de prontuários médicos na sede da clínica onde os abusos teriam ocorrido. A medida foi necessária porque os documentos haviam sido requisitados pela Polícia Civil durante o inquérito, mas não foram entregues pela administração da clínica no prazo determinado.
Próximos passos e investigações em Goiânia
O processo atualmente segue os seguintes trâmites:
- Prisão: O médico segue em prisão preventiva.
- Defesa: Os advogados do réu estão no prazo para apresentação da resposta à acusação.
- Julgamento: Após a defesa, serão agendadas as audiências de instrução e julgamento.
- Sigilo: Por se tratar de crimes sexuais, os autos tramitam em segredo de justiça.
Além dos casos em Senador Canedo, o ginecologista também é alvo de investigações em Goiânia. A 27ª Promotoria de Justiça da capital acompanha os desdobramentos e aguarda a conclusão dos inquéritos policiais para adotar as providências cabíveis e, possivelmente, oferecer novas denúncias.
Em nota ao Mais Goiás, a defesa de Marcelo Arantes e Silva rebateu a forma como o caso vem sendo divulgado. Os advogados alegam que há apenas uma nova denúncia e que a menção a uma acusação anterior, de 2017, serviria apenas para “aumentar a carga de pré-julgamentos”.
A defesa criticou ainda o que chamou de “espetacularização” do processo, afirmando que não teve acesso aos termos da denúncia mais recente antes da sua divulgação pública. Segundo os advogados, tal exposição serve para que os investigados sejam “destruídos em vida e condenados antes mesmo de serem processados”.
Leia na íntegra a nota enviada
“Estão falando em denúncias, mas há apenas uma nova denúncia. Quando falam em duas denúncias – na verdade – fazem referência a uma primeira acusação referente a um fato em tese ocorrido no ano de 2017. A referência a ela (a esta primeira denúncia), oferecida semanas atrás, ocorre apenas para aumentar a carga de pré-julgamentos lançada sobre o acusado. Já em relação a segunda denúncia, recentemente oferecida, muito se propagandeou, mas à defesa ainda não se deu acesso aos seus termos.
Isso não me parece razoável. Antes mesmo de se permitir à Defesa do acusado acesso aos termos da imputação, já se propagandeia a existência dela. Com que propósito?A justiça ganha algo com isso?
Lamento muito que situações assim ainda aconteçam. Pessoalmente creio que a espetacularização de processos serve apenas a imposição de suplícios morais aos investigados, para que eles sejam destruídos em vida e condenados antes mesmo de serem processados.”








