Sexta-feira, 08/05/26

Venezuela reconhece morte de preso político quase um ano depois

Venezuela reconhece morte de preso político quase um ano depois
Venezuela reconhece morte de preso político quase um ano depois – Reprodução

A Venezuela reconheceu na quinta-feira (7) a morte do preso político Víctor Hugo Quero Navas, nove meses após seu falecimento e após mais de um ano de desaparecimento forçado denunciado por sua família.

Quero, de 51 anos, foi excluído da anistia impulsionada pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de acordo com sua defesa. Sua mãe, Carmen Navas, o procurou incessantemente e não conseguiu vê-lo durante sua detenção.

Depois de depositar flores sobre o local onde foi informada que estavam os restos mortais de Quero, a mãe, de 81 anos, pediu a realização de um exame de DNA para corroborar a identidade do corpo.

O Ministério dos Serviços Penitenciários afirmou em um comunicado que Quero faleceu em 24 de julho de 2025, perto da meia-noite, “por insuficiência respiratória”, após ser transferido para o Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, em Caracas, “ao apresentar hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda”.

O Ministério Público da Venezuela anunciou “o início de uma investigação penal” em um comunicado publicado na noite desta quinta.

“Como parte da investigação, foi determinada a exumação com prontidão do cadáver”, acrescentou o MP venezuelano.

Um punhado de pedras e uma chapa de ferro enferrujada fincada em um pedaço de terreno vazio são os únicos indícios de que seus restos mortais estão ali. Em letras impressas em computador, aparece o nome completo de Quero junto ao de uma mulher.

A data da morte que consta no local é 27 de julho de 2025, e não 24 de julho, como aponta o comunicado oficial.

Ativistas de direitos humanos denunciaram em janeiro, semanas depois da captura do então presidente Nicolás Maduro por forças americanas, que na Venezuela havia cerca de 200 pessoas em “desaparecimento forçado”.

“Isto não é apenas uma tragédia; é um crime contra a humanidade executado com impunidade absoluta”, afirmou a Nobel da Paz venezuelana María Corina Machado em uma mensagem na rede social X.

Após a captura de Maduro, a presidente interina promoveu uma lei de anistia para a libertação de presos políticos.

Desde janeiro, 776 deles foram soltos na Venezuela, de acordo com o registro da ONG Foro Penal. Destes, 186 foram libertados após a promulgação da Lei de Anistia em fevereiro.

‘Caso gravíssimo’

Segundo o Ministério de Serviços Penitenciários, Quero “não forneceu dados sobre filiação e nenhum familiar se apresentou para solicitar visita formal”.

Muitas famílias passam meses sem notícias de seus entes queridos depois de sua detenção e pedem em vão informações às autoridades, indo de prisão em prisão para tentar encontrá-los. Às vezes, têm notícias graças às visitas a pessoas detidas.

“O privado de liberdade, estando sob tutela do Estado e diante da ausência de seus familiares, foi formalmente sepultado na data de 30 de julho de 2025 em cumprimento aos protocolos legais”, acrescenta o texto.

Quero, comerciante de 51 anos, foi preso em 3 de janeiro de 2025 e acusado de supostos crimes de terrorismo.

“O próprio comunicado do Ministério dos Serviços Penitenciários é por si só indignante, porque indica que ele não havia informado sobre vínculos de filiação e que ninguém foi visitá-lo […] A mãe passava muito tempo procurando por ele e ninguém lhe dizia nada”, declarou Romero.

O advogado Eduardo Torres, defensor de direitos humanos e ex-preso político, afirmou que o desaparecimento forçado e a violação do direito à vida são crimes contra a humanidade.

Desde 2014, 19 presos políticos morreram sob custódia do Estado venezuelano, segundo a contagem do Foro Penal, que calcula em 454 o número de presos políticos na Venezuela no fim de abril.

T LB

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